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Violência contra mulheres dispara e CPI em Uberlândia escancara falhas na rede de proteção
Reunião ouviu vítima, autoridades e revelou aumento de casos, subnotificação e desafios no combate ao feminicídio
26/03/2026 14h55
Por: Redação

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do feminicídio da Câmara Municipal de Uberlândia realizou sua terceira reunião com o objetivo de ouvir autoridades, representantes de órgãos públicos e uma vítima de tentativa de feminicídio, além de deliberar novas diligências sobre o tema.

 

O encontro contou com a participação da defensora pública Bárbara Machado, do secretário municipal de Desenvolvimento Social, Sérgio do Bom Preço, e da vítima Bárbara Lasmar, que relatou experiências pessoais relacionadas à violência doméstica.

 

Durante a reunião, foram apresentados dados que indicam um cenário preocupante. Segundo a Defensoria Pública, centenas de mulheres foram atendidas nos últimos meses, com média diária de atendimentos que reforça a dimensão do problema. A avaliação é de que há uma escalada da violência, inclusive com a presença de agressores mais jovens.

 

Além dos números, foi destacado que a subnotificação ainda dificulta a real mensuração dos casos, enquanto especialistas apontam que o feminicídio representa o estágio mais extremo de um ciclo de violência que começa com agressões psicológicas, verbais e financeiras.

 

A vítima ouvida pela CPI relatou episódios de violência contínua e destacou dificuldades enfrentadas para romper o ciclo, incluindo pressão emocional, dependência financeira e falta de apoio efetivo. O depoimento reforçou a necessidade de fortalecimento das redes de proteção às mulheres.

 

Outro ponto debatido foi o chamado capacitismo estrutural e a necessidade de políticas públicas mais eficazes, além da ampliação de ações preventivas, principalmente na educação, como forma de combater a cultura de violência.

 

O secretário municipal afirmou que o município dispõe de estruturas de apoio, como abrigos e programas de capacitação, além de projetos em andamento para ampliar o atendimento às vítimas.

 

Ao final, a CPI reforçou que seguirá com novas oitivas e diligências para aprofundar a investigação e propor medidas que possam contribuir para a redução da violência contra as mulheres no município.