A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do feminicídio da Câmara Municipal de Uberlândia realizou sua terceira reunião com o objetivo de ouvir autoridades, representantes de órgãos públicos e uma vítima de tentativa de feminicídio, além de deliberar novas diligências sobre o tema.
O encontro contou com a participação da defensora pública Bárbara Machado, do secretário municipal de Desenvolvimento Social, Sérgio do Bom Preço, e da vítima Bárbara Lasmar, que relatou experiências pessoais relacionadas à violência doméstica.
Durante a reunião, foram apresentados dados que indicam um cenário preocupante. Segundo a Defensoria Pública, centenas de mulheres foram atendidas nos últimos meses, com média diária de atendimentos que reforça a dimensão do problema. A avaliação é de que há uma escalada da violência, inclusive com a presença de agressores mais jovens.
Além dos números, foi destacado que a subnotificação ainda dificulta a real mensuração dos casos, enquanto especialistas apontam que o feminicídio representa o estágio mais extremo de um ciclo de violência que começa com agressões psicológicas, verbais e financeiras.
A vítima ouvida pela CPI relatou episódios de violência contínua e destacou dificuldades enfrentadas para romper o ciclo, incluindo pressão emocional, dependência financeira e falta de apoio efetivo. O depoimento reforçou a necessidade de fortalecimento das redes de proteção às mulheres.
Outro ponto debatido foi o chamado capacitismo estrutural e a necessidade de políticas públicas mais eficazes, além da ampliação de ações preventivas, principalmente na educação, como forma de combater a cultura de violência.
O secretário municipal afirmou que o município dispõe de estruturas de apoio, como abrigos e programas de capacitação, além de projetos em andamento para ampliar o atendimento às vítimas.
Ao final, a CPI reforçou que seguirá com novas oitivas e diligências para aprofundar a investigação e propor medidas que possam contribuir para a redução da violência contra as mulheres no município.