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Lei contra planta comum acende alerta em Minas e pode mudar paisagem urbana para salvar citros
Iniciativa pioneira de Araxá para eliminar a murta já é adotada por outros municípios e busca conter avanço do greening, doença que ameaça a citricultura
28/03/2026 08h43
Por: Redação

Uma lei criada em Araxá para combater a murta, planta ornamental bastante comum em áreas urbanas, começa a ganhar adesão em outros municípios de Minas Gerais e levanta um alerta sobre os riscos do greening, considerada a doença mais destrutiva da citricultura no mundo.

 

A legislação municipal, originada de um projeto aprovado em 2024, proíbe o plantio, a comercialização e o transporte da murta (Murraya paniculata), além de prever a erradicação das plantas já existentes. A espécie é apontada como hospedeira do psilídeo, inseto responsável por transmitir a bactéria que causa o greening.

 

Segundo a Secretaria de Agricultura de Araxá, a medida tem caráter preventivo e foi inspirada em experiências internacionais, como a da Flórida, nos Estados Unidos, onde a falta de controle da praga resultou em perdas significativas na produção de laranja ao longo dos anos.

 

O modelo adotado no município passou a ser replicado em cidades como Ibiá e Sacramento, enquanto outras localidades do Alto Paranaíba e Triângulo Mineiro estudam a implementação de normas semelhantes. A proposta é criar uma atuação regional integrada para reduzir a disseminação do inseto transmissor.

 

Especialistas destacam que o greening não possui cura e pode se espalhar rapidamente entre os pomares, comprometendo a produtividade e a qualidade dos frutos. Por isso, o foco das ações está na eliminação de ambientes favoráveis à proliferação do vetor, como a presença contínua da murta.

 

Além da legislação, o município também atua em parceria com o Instituto Mineiro de Agropecuária na fiscalização de viveiros e na orientação de produtores rurais, reforçando medidas de controle e monitoramento.

 

A iniciativa ocorre em um momento de expansão da citricultura em Minas Gerais, impulsionada por fatores como clima, solo e deslocamento de áreas produtoras de outros estados. A expectativa é que, com a adesão de mais municípios, seja possível estabelecer uma barreira sanitária regional e garantir maior segurança à produção.

 

A adoção da lei, no entanto, também traz desafios, como a necessidade de conscientização da população e adaptação paisagística em áreas urbanas, onde a murta é amplamente utilizada como planta ornamental.