

O nome de Mara Verônica Frange Rodrigues Cunha poderá ser eternizado em um logradouro público de Uberaba, como praça, rua ou avenida, após proposta apresentada na Câmara Municipal. A homenagem reconhece a trajetória da engenheira civil e ativista que dedicou mais de três décadas à proteção animal no município.
Nascida em 1953 e criada no bairro Abadia, Mara construiu carreira na engenharia, mas foi na causa animal que deixou seu principal legado. Atuante na Associação Uberabense de Proteção aos Animais, tornou-se referência local ao participar de resgates, promover tratamentos e incentivar a adoção responsável de animais em situação de abandono.
Segundo relato apresentado no Legislativo, a atuação da protetora começou de forma simples, motivada pelo desejo da filha por um animal de estimação, e evoluiu para uma missão de vida. Mesmo enfrentando problemas de saúde, incluindo um câncer agressivo, Mara seguiu acompanhando as ações da causa até seus últimos dias. Ela faleceu em novembro de 2025.
A proposta de homenagem reacende um debate recorrente em Uberaba: a realidade enfrentada por protetores independentes e organizações que atuam na defesa animal. Apesar do reconhecimento simbólico, ativistas relatam desafios constantes, como a falta de recursos financeiros, estrutura limitada para acolhimento e alta demanda por resgates.
Na cidade, é comum que protetores utilizem recursos próprios para custear alimentação, tratamentos veterinários e castrações. Além disso, a ausência de políticas públicas mais amplas e contínuas é frequentemente apontada como um dos principais entraves para o controle populacional de animais abandonados.
Entidades e voluntários também destacam a necessidade de campanhas permanentes de conscientização, além da ampliação de programas de castração e fiscalização contra maus-tratos. A superlotação de abrigos e a dificuldade na adoção responsável são outros pontos críticos enfrentados diariamente.
A homenagem a Mara Verônica, nesse contexto, surge como um reconhecimento à dedicação individual, mas também evidencia a necessidade de avanços estruturais na proteção animal em Uberaba. Para ativistas, valorizar histórias como a dela é importante, mas o desafio maior segue sendo transformar essa visibilidade em políticas públicas efetivas e suporte contínuo à causa.
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