Frutal Autismo
Cresce o número de autistas, mas estrutura ainda não acompanha: famílias enfrentam filas, exclusão e falta de apoio no Triângulo Mineiro
Dados oficiais escancaram crescimento do TEA no país enquanto famílias ainda enfrentam filas, falta de profissionais e exclusão nas escolas, cenário que também se reflete no Triângulo Mineiro
02/04/2026 19h20
Por: Redação

Neste 2 de abril, Dia Mundial de Conscientização do Autismo, o Brasil avança no reconhecimento do Transtorno do Espectro Autista, mas ainda enfrenta dificuldades estruturais para garantir atendimento adequado.

 

Dados do Censo 2022 do IBGE apontam que o país possui cerca de 2,4 milhões de pessoas diagnosticadas com autismo, o equivalente a aproximadamente 1,2 por cento da população. Especialistas apontam que esse número pode ser ainda maior devido à subnotificação.

 

A Organização Mundial da Saúde estima que uma em cada 100 crianças no mundo esteja dentro do espectro.

 

Crescimento dos diagnósticos e desafios reais

 

O aumento dos diagnósticos está ligado à maior conscientização e evolução dos critérios médicos. No entanto, esse avanço não tem sido acompanhado pela estrutura pública.

 

Entre os principais desafios enfrentados pelas famílias estão:

 

demora para diagnóstico, principalmente no SUS

falta de profissionais especializados

dificuldade de acesso a terapias contínuas

inclusão escolar ainda limitada

alto custo no atendimento privado

 

Triângulo Mineiro reflete a pressão nacional

 

Em cidades como Uberaba, Uberlândia e Araguari, a realidade segue o padrão nacional. O crescimento da demanda por atendimento especializado tem pressionado os sistemas públicos de saúde e educação.

 

Famílias relatam dificuldade para conseguir consultas com especialistas, acesso a terapias e suporte adequado dentro das escolas.

 

Atuação política na região

 

Em Uberaba, o vereador Túlio Micheli possui atuação reconhecida na pauta da inclusão, com projetos voltados ao público com autismo, incluindo iniciativas relacionadas ao ambiente escolar e direitos de pessoas com TEA.

 

Também no município, há projetos legislativos recentes que ampliam o debate sobre diagnóstico e atendimento, demonstrando avanço gradual na pauta.

 

Em Uberlândia, a pauta do autismo tem ganhado visibilidade institucional por meio de ações da Câmara Municipal, incluindo iniciativas de reconhecimento e valorização de profissionais e entidades que atuam na área.

 

Em Araguari, embora com menor volume de projetos específicos amplamente divulgados, o tema também está presente nas discussões relacionadas à educação inclusiva e saúde pública.

 

Sobre deputados da região

 

No caso de deputados estaduais e federais com base eleitoral consolidada no Triângulo Mineiro, não há, até o momento, uma liderança amplamente reconhecida exclusivamente pela bandeira do autismo.

 

O que existe são atuações pontuais dentro de pautas mais amplas, como saúde, educação e inclusão.

 

Por isso, do ponto de vista jornalístico, o mais correto é não atribuir protagonismo direto sem comprovação consistente e recorrente.

 

Entre leis e realidade

 

O Brasil avançou na legislação, com normas como a Lei Berenice Piana, que garante direitos às pessoas com autismo.

 

No entanto, o principal desafio ainda está na execução dessas políticas.

 

A distância entre o que está previsto na lei e o que é oferecido na prática ainda é uma das maiores dificuldades enfrentadas pelas famílias.

 

Um debate que precisa avançar

 

O aumento dos diagnósticos não significa crescimento da condição, mas sim maior identificação.

 

O problema é que a estrutura pública não evoluiu na mesma velocidade.

 

No Triângulo Mineiro, região em expansão, o tema deixa de ser apenas social e passa a ser uma questão estrutural que exige planejamento, investimento e continuidade.

 

A discussão já começou, mas ainda está longe de atender plenamente quem mais precisa.