O lançamento de um novo medicamento oral para psoríase, desenvolvido pela Johnson & Johnson e aprovado pela FDA nos Estados Unidos, pode representar uma mudança relevante no tratamento da doença. A novidade também levanta questionamentos sobre a realidade do acesso à saúde em cidades do interior brasileiro, como as do Triângulo Mineiro.
A nova terapia, em formato de comprimido de uso diário, surge como alternativa aos medicamentos biológicos aplicados por injeção, atualmente utilizados em casos moderados e graves. A proposta é oferecer eficácia semelhante, com maior praticidade e potencial de adesão por parte dos pacientes.
A psoríase é uma doença inflamatória crônica, não contagiosa, que provoca lesões na pele e pode impactar significativamente a qualidade de vida. No Brasil, estima-se que cerca de 5 milhões de pessoas convivam com a condição, o que representa aproximadamente 3 por cento da população.
Com base nesses dados, projeções indicam que o impacto também é expressivo em cidades do Triângulo Mineiro. Em Uberaba, com cerca de 340 mil habitantes, mais de 10 mil pessoas podem conviver com a doença. Em Uberlândia, com população superior a 700 mil habitantes, o número pode ultrapassar 20 mil pacientes. Já em Araguari, a estimativa também aponta para milhares de casos. Embora se trate de projeções, os números ajudam a dimensionar a presença da doença na região.
Atualmente, pacientes com quadros mais graves dependem de medicamentos de alto custo, muitos deles disponibilizados pelo sistema público de saúde. No entanto, há limitações relacionadas ao acesso, como a necessidade de acompanhamento com especialistas, processos burocráticos para liberação dos medicamentos, dependência de centros de referência e uso contínuo de aplicações injetáveis.
Esse cenário pode dificultar a continuidade do tratamento, especialmente em municípios onde a oferta de especialistas é mais restrita. Em alguns casos, pacientes precisam aguardar longos períodos por atendimento ou se deslocar para centros maiores.
A introdução de um tratamento oral pode alterar essa dinâmica. O uso de comprimidos diários tende a simplificar a rotina terapêutica, reduzir a necessidade de procedimentos invasivos e ampliar a adesão ao tratamento. Além disso, pode diminuir a dependência de estruturas hospitalares para administração de medicamentos.
Apesar do potencial, o novo medicamento ainda não está disponível no Brasil. Para isso, será necessária a aprovação da Anvisa, além de definições relacionadas à precificação e eventual incorporação ao sistema público de saúde.