A obesidade, cada vez mais presente na rotina da população brasileira, foi tema central de um simpósio realizado nesta quinta-feira, 16, em Uberaba. O encontro reuniu cerca de 150 participantes no auditório da Universidade Federal do Triângulo Mineiro, entre profissionais da saúde, especialistas e gestores públicos, para discutir estratégias de prevenção, diagnóstico e tratamento da doença.
Promovido pelo Centro Municipal de Diabetes e Hipertensão, o evento reforçou um ponto que vem ganhando destaque nas políticas de saúde: a obesidade não é apenas uma condição estética, mas uma doença crônica não transmissível que exige acompanhamento contínuo, assim como o diabetes e a hipertensão.
Durante o simpósio, a endocrinologista Elisabete Mantovani destacou a evolução no entendimento da doença ao longo dos anos. Segundo ela, os avanços na medicina permitiram o desenvolvimento de tratamentos mais eficazes, incluindo medicamentos que atuam não apenas na perda de peso, mas também na regulação de órgãos como coração, fígado e pâncreas, além do controle da compulsão alimentar.
A programação contou ainda com a participação de especialistas de diferentes áreas, como a endocrinologista Carmen Lage Vieira, o cardiologista Felipe Gomides Dumont e a nutricionista Nayara Pegorari, que abordaram desde os riscos cardiovasculares até estratégias nutricionais e fluxos de atendimento no sistema público.
O debate realizado em Uberaba acompanha uma realidade preocupante no país. Dados recentes do Ministério da Saúde indicam que 62,6% dos adultos brasileiros estão acima do peso e cerca de 25% já vivem com obesidade. O crescimento é acelerado: a prevalência mais que dobrou nas últimas duas décadas, com aumento de 118% entre 2006 e 2024.
No contexto do Triângulo Mineiro, a situação segue a mesma tendência nacional. Levantamentos do sistema Vigitel, que monitora fatores de risco nas capitais e serve como base para políticas públicas, apontam aumento contínuo de sobrepeso e obesidade em cidades de médio e grande porte. Em Minas Gerais, o cenário também é de alta, pressionando a rede pública de saúde com maior demanda por atendimentos relacionados a doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e complicações metabólicas.
Em Uberaba e Uberlândia, por exemplo, unidades de atenção primária e centros especializados têm registrado crescimento na procura por acompanhamento nutricional e endocrinológico. A ampliação de programas de prevenção e educação alimentar tem sido uma das estratégias adotadas pelos municípios para conter o avanço da doença.
Especialistas alertam que o enfrentamento da obesidade passa por uma abordagem integrada, envolvendo políticas públicas, mudança de hábitos, incentivo à prática de atividade física e acesso a tratamento adequado. O tema, que antes era tratado de forma pontual, hoje é considerado um dos maiores desafios de saúde pública do país.
O simpósio realizado em Uberaba reforça esse cenário e evidencia que o debate precisa sair do campo teórico para se transformar em ações concretas, especialmente em regiões como o Triângulo Mineiro, onde o crescimento populacional e o estilo de vida urbano têm intensificado os fatores de risco associados à doença.