Segurança Administração
PREFEITURA DE UBERLÂNDIA AFASTA CORREGEDORA APÓS ÁUDIOS E ABRE INVESTIGAÇÃO SOBRE POSSÍVEIS IRREGULARIDADES
Caso envolve denúncias de interferência em processos administrativos e já mobiliza Câmara Municipal e Ministério Público
22/04/2026 09h05
Por: Redação

A Prefeitura de Uberlândia, no Triângulo Mineiro, instaurou uma sindicância administrativa e determinou o afastamento preliminar da corregedora-geral do município após a divulgação de áudios que levantam suspeitas sobre a condução de processos internos.

O caso ganhou repercussão pública nos últimos dias, especialmente após manifestação do vereador Adriano Zago (Avante) na Câmara Municipal, levando o tema ao debate legislativo. Antes disso, uma denúncia anônima já havia sido encaminhada ao Ministério Público de Minas Gerais, em 27 de março de 2026, apontando possíveis irregularidades na atuação da Corregedoria.

Os áudios divulgados contêm transcrições de conversas atribuídas à corregedora, nas quais aparecem indícios de possíveis interferências em processos administrativos disciplinares. Entre os pontos levantados estão a suposta definição prévia de decisões, direcionamento de resultados e até a possibilidade de postergação de processos.

Em um dos trechos, há menção a decisões que deveriam estar definidas antes mesmo da abertura dos processos. Em outro momento, aparece a sugestão de tratamento diferenciado em casos específicos, incluindo situações sensíveis como denúncias de assédio.

Outro aspecto apontado envolve a condução de prazos, com falas que sugerem retenção de processos até que determinadas condições fossem atendidas, como aposentadorias de envolvidos.

Apesar da repercussão na Câmara, onde foi aprovado um requerimento solicitando o afastamento cautelar da servidora, a decisão efetiva partiu do Executivo municipal. A Prefeitura informou, por meio da Secretaria Municipal de Administração, que a medida segue recomendação da comissão sindicante e tem como objetivo garantir a lisura das investigações.

De acordo com nota oficial, a sindicância foi instaurada pela Portaria nº 238/2026, com a finalidade de apurar os fatos e analisar os áudios divulgados. O afastamento foi adotado como medida preventiva, visando evitar qualquer possibilidade de interferência durante o processo de apuração, respeitando o princípio da presunção de inocência.

A administração municipal também destacou que a abertura da investigação segue diretrizes de governança e compliance, com foco na transparência e na eficiência do serviço público.

O caso coloca em evidência o funcionamento da Corregedoria Geral, órgão responsável pelo controle interno da administração pública municipal. A sindicância em andamento deverá avaliar a veracidade do conteúdo divulgado e a eventual existência de irregularidades.

Até o momento, não há conclusão oficial sobre o caso, e a servidora afastada mantém o direito à ampla defesa e ao contraditório.