Geral Walter Farnezi
UBERABA ENTRE O AGRO, O PODER E O FUTURO QUE AINDA ESTÁ SENDO DECIDIDO
Na nova coluna de Walter Farnezi, os bastidores do crescimento de Uberaba, os desafios econômicos e o impacto das decisões políticas no coração do agro brasileiro entram em debate.
11/05/2026 08h11
Por: Redação

Uberaba do futuro

Ao final da década de 1970, Uberaba respirava ares de desenvolvimento, quando também as lideranças políticas ressaltavam o investimento em ampliação de avenidas, aberturas de outras, canalização do córrego das lajes na avenida Leopoldino de Oliveira com obras em fase final, e o mais charmoso empreendimento do momento, a instalação do que então seria um polo de fertilizantes fosfatados à beira do rio Grande, exatos 35 km distante do centro da cidade.  “Uberaba, Morada” do futuro”, proclamava o prefeito da época.

 

Voos lotados

Cerca de 600 pessoas viajavam de Uberaba para as principais capitais do país, usando os transportes por rodovia, ferrovia e aéreo. Somente em um horário, um boeing 747, passando por Uberaba, diariamente, levava 45 pessoas que seguiam para São Paulo. Para se ter uma ideia, em Uberaba pousavam três boeings diariamente. Aos domingos, a média subia para 60 passageiros. Reflexo da segunda-feira de trabalho em Sampa. Voos diários também em diferentes horários que, em média, transportavam o mesmo número de uberabenses para Belo Horizonte, Rio de Janeiro e mais 30 passageiros pela rota Goiânia, Brasília e Nordeste do país. O desembarque no aeroporto Mário Franco aumentava no fim de semana, motivado por visitantes a Chico Xavier e por funcionários da Valefértil, a então futura Fosfértil.

De ônibus ou de trem

Ainda com destino a cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Goiânia, Brasília, viajavam em diferentes horários, diariamente, 250 passageiros, em média. Pela ferrovia, em um único horário, viajavam, diariamente, para São Paulo, 50 passageiros, em média.

Água para dar e vender

Em março de 1979, o então presidente da Codau comemorava o que a seu ver era a imensa fartura de água para abastecer a população por uma suposta eternidade. “Quem tem um rio Grande e um rio Uberaba nunca terá crise de água”, exaltava aos quatro cantos o presidente geraldo Barbosa, que não está aqui para presenciar a situação atual das torneiras. Uberaba contava com pouco mais de 170 mil habitantes à época, mas há muito, ou desde sempre, não se preocupava com os dejetos sanitários e industriais despejados em seus mananciais. Uma das duas fontes citadas, vem amargando assoreamento e, consequente esgotamento há anos. Atualmente, vamos à exploração da outra, que está há 30 km distante.

A esperança

A esperança é a última que morre, mas um dia morre. E aí, acabou, chegou ao fim os projetos otimistas e alvissareiros. As lideranças se alternaram, conforme os caminhos da política, a “banca de venda de peixe” seguia o perfil, a linha evolutiva e promissora nas palavras grafadas em manchetes dos jornais diários que circulavam, o mais valioso veículo de comunicação em parceiras com rádio e televisão. Apenas quatro anos depois, com novos comandos políticos à frente do município, a visão vinha através de frases bem elaboradas na comunicação oficial. “Uberaba terá água para 500 mil habitantes em 1986”. Alardeava a nova política, que trazia no comando da companhia de águas Frederico Frange. O ano era de 1983 e ele se baseava nos investimentos em obras de ampliação, chegada de novas bombas, adutoras e novos reservatórios.

 

A fonte secou

 O tempo passou mais um pouquinho, viraram as décadas(apenas duas), virou o milênio, novas lideranças políticas, diferentes circunstâncias, legislação avançando, e o curador do meio ambiente, promotor  Emmanuel Carapunarla, concedeu entrevista coletiva à imprensa para, em dados e números apontar severa agressão ao meio ambiente e, consequentemente, a degradação da fonte do precioso líquido. “MP alerta que rio Uberaba pode secar”. Era o ano de 2001, a manchete do jornal diário despertava para um novo cenário. O promotor chamava a atenção, conclamando a sociedade a dar a sua parcela de colaboração, atribuindo-lhe também responsabilidades.

 

Tapando sol com peneira

 De lá para cá, foram várias as ocorrências e ações em debates acalorados entre lideranças, entidades, promessas, projetos de salvação, acidentes com derramamentos de elementos tóxicos nos mananciais, seca, falta de água, palanques, anúncios, projetos e obras, mas de captação em riachos de forma a abastecer o rio Uberaba. Paliativos, mas com muita festa a cada metro de condutor que chegava e eram apresentados em desfiles nos veículos de comunicação. Equipamentos, instalados que eram acionados a cada ano, em períodos de seca e baixa vazão do rio Uberaba.

Na praia ou na prainha.

A prainha, um projeto apresentado na campanha eleitoral de 2012, sobreviveu às intempéries da vida política do município até o ano passado, quando entrou de vez o então aguardado projeto de captação de água no rio Grande, divisa Minas com São Paulo. Mas a prainha é também um reflexo da luta dos uberabenses que se propõem a construir um munícipio melhor para todos, tendo a água abundante como mola propulsora de campanhas, promessas e debates. Com tudo isso e ao longo de tantos anos, o uberabense, atualmente, sofre com falta d`água também no período chuvoso, enfrentando contingenciamento sem muito(ou quase nada) em se tratando de  esclarecimentos e porquês. “Uberaba, morada do futuro” ainda não chegou, 47 anos depois da afirmativa e com 350 mil habitantes, e a esperança de ter água nas torneiras antes de completar uma população de 500 mil. Na verdade vamos para a exploração do terceiro manancial, o rio Grande, a fonte dos rios Uberaba e Claro foram exauridas.

 

Fonte de pesquisa: Hemeroteca Arquivo Público Municipal