Geral por Vander Souza
ENTENDA A MECÂNICA POR TRÁS DA MEDIÇÃO DE AUDIÊNCIA DA TV NO BRASIL
Nova coluna explica como funciona a medição de audiência da TV brasileira, revela os bastidores do peoplemeter e mostra por que São Paulo dita o sucesso ou fracasso da programação nacional
16/05/2026 11h17
Por: Redação

Como vai, leitor(a)? O primeiro texto desta coluna abordou a força da TV aberta na vida de grande parte da população brasileira. Agora, vale a pena lhe explicar algo que você já se perguntou como é feito na prática ou ainda não sabe: a medição de audiência de tudo o que é veiculado pelas emissoras.

 

Bom, vamos por partes. Já ouviu falar no Ibope, atual Kantar Ibope Media? Pois bem, essa é a empresa que coleta os dados relacionados a cada produção que invade as telinhas dos lares pelo Brasil afora. Isso é feito desde a década de 50. E, claro, no começo tudo era bem manual até se tornar mais tecnológico.

 

Nos anos 90, o Ibope passou a utilizar um equipamento chamado peoplemeter, que, em tradução livre, seria algo como “medidor de pessoas”. Esse dispositivo eletrônico fica conectado à TV e registra todas as informações sobre o que o telespectador está assistindo, como a emissora, o nome do programa e o horário, por exemplo.

A instalação do medidor

Com base em critérios próprios, o Ibope escolhe residências e, havendo o consentimento do morador, pluga o peoplemeter na TV. E tudo é executado de forma sigilosa, caro(a) leitor(a). Depois de instalar o dispositivo, é feito um cadastro do telespectador. Se houver mais de uma pessoa na casa, todas são cadastradas e recebem orientações da empresa. 

 

Um controle remoto é fornecido pela medidora e sempre que determinada pessoa for assistir à TV, é necessário que esse usuário coloque o número de cadastro que recebeu no momento da instalação do peoplemeter. É como se fosse o usuário que você usa para ver um filme ou série em alguma plataforma de streaming.

O Ibope sabe o que todo mundo vê?

Nos dias atuais, a medição diária de audiência é feita em tempo real pela Kantar Ibope Media só em 15 regiões metropolitanas do Brasil. Então, a medidora só sabe o que você assiste na TV se houver um peoplemeter instalado pela empresa na sua televisão.

 

Das 15 regiões com medição diária de audiência, a que tem maior peso é São Paulo. É lá que estão as grandes agências de publicidade, sendo o lugar no qual as maiores redes de televisão concentram os esforços para fazer caixa com a venda de intervalos comerciais na programação e tomam como base o que é sucesso ou fracasso. 

 

Sabe aquele programa que você gostava e saiu do ar ou aquela novela que nunca foi reprisada? Possivelmente não foi bem na audiência e a emissora resolveu engavetar. Um exemplo clássico disso é o SBT, canal famoso pela “grade voadora”, como alguns críticos de televisão apelidaram. Se o seu Silvio achava o Ibope ruim, mandava mudar o horário, o dia ou tirar o fiasco do ar “pra ontem”.

O valor de cada pontinho

A medição é feita por meio de um contrato firmado entre a Kantar Ibope Media e as emissoras, de acordo com os objetivos de cada rede. Além das regiões metropolitanas, a empresa entrega uma média de audiência nacional. A amostragem é feita com base nos dados coletados nas 15 cidades que possuem lares com o peoplemeter instalado.

 

Cada região metropolitana tem valores próprios estabelecidos pela medidora, mas na mais relevante, São Paulo, um ponto de audiência equivale a pouco mais de 78 mil domicílios com a TV sintonizada em determinado canal. Já no cenário nacional, no Painel Nacional de Televisão (PNT), um ponto significa mais de 277 mil residências assistindo a uma emissora. Muita coisa, não é mesmo?

 

Em tempo, nas cidades menores do interior do Brasil, a medição de audiência é feita pela Kantar Ibope Media por meio de estudos de amostragem que são encomendados pelas emissoras.