O Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (HC-UFTM) reforçou sua atuação como porta de entrada para atendimento às vítimas de violência sexual em Uberaba. A unidade é referência no município para acolhimento e atendimento especializado, conforme portaria municipal, especialmente em casos recentes de abuso e exploração sexual.
O alerta ganha ainda mais relevância diante do Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, lembrado na próxima segunda-feira, 18 de maio, data que integra a campanha Maio Laranja em todo o país.
Segundo informações do HC-UFTM, vítimas que sofreram violência sexual há até dez dias passam por acolhimento multiprofissional com equipes de Psicologia, Serviço Social e atendimento médico especializado. Dependendo da situação, também é realizada coleta de vestígios para auxiliar investigações.
Nos casos em que a violência ocorreu há mais de dez dias, o hospital realiza acolhimento psicossocial e encaminhamento ao Núcleo Especializado no Atendimento às Vítimas de Agressão Sexual (NEVAS).
De acordo com Giselle Vieira de Souza, chefe da Unidade da Criança e do Adolescente do HC-UFTM, crianças e adolescentes cisgênero e transgênero de até 13 anos, 11 meses e 29 dias são atendidos no Pronto Socorro Infantil da unidade, que funciona 24 horas por dia.
Segundo ela, além do primeiro atendimento, são realizados procedimentos como profilaxias, notificações obrigatórias e, quando necessário, encaminhamento para acompanhamento multiprofissional no Ambulatório de Atendimento Integrado à Vida – Infância.
Já adolescentes e mulheres com idade igual ou superior a 14 anos são atendidas no Pronto Socorro de Ginecologia e Obstetrícia do HC-UFTM. Homens acima dessa faixa etária recebem atendimento no Pronto Socorro Adulto da instituição.
Dados divulgados pelo hospital mostram que, somente em 2025, foram registrados 198 atendimentos relacionados à violência sexual. Segundo o Setor de Gestão da Qualidade do HC-UFTM, 78,79% das vítimas atendidas eram mulheres e 62,18% tinham até 14 anos de idade.
A unidade também alertou para o perfil dos agressores. Conforme os registros do hospital, a maior parte dos casos envolve pessoas conhecidas da vítima e integrantes do círculo de convivência familiar ou social.
Especialistas destacam que mudanças bruscas de comportamento, medo excessivo, vergonha, isolamento, lesões sem explicação aparente, comportamentos regressivos e falas sexualizadas incompatíveis com a idade podem indicar situações de violência.
O HC-UFTM reforça que denúncias podem ser feitas anonimamente pelo Disque 100, canal nacional de proteção aos direitos humanos.
O hospital integra a HU Brasil desde 2013. A rede, vinculada ao Ministério da Educação, administra atualmente 45 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação.