

1. Fim da Escala 6x1 tem data marcada e trabalhadores se aproximam da maior
vitória na constituião desde 1988, debate movimenta Uberaba:
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que propõe o fim da escala 6x1
está em discussão na Câmara dos Deputados. O relatório da comissão
especial deve ser apresentado em 25 de maio de 2026 e a expectativa é que a
votação ocorra no Plenário na mesma semana, em um esforço concentrado até
27 de maio de 2026.
2. Quais são as principais reclamações de trabalhadores que atualmente vivem
na escala 6x1?
Esgotamento e adoecimento generalizado: A rotina exaustiva de seis dias de
trabalho por apenas um de descanso compromete a saúde mental e física, sem
tempo hábil para a recuperação plena. Tendo como um dos motivos principais
de afastamentos pelo INSS o esgotamento físico e mental, atrelado à jornada
exaustiva de trabalho.
Prejuízo à convivência e à vida social: A folga única impede o convívio familiar
regular, o lazer e o descanso saudável, aprisionando o trabalhador em um ciclo
focado apenas na subsistência. Sendo que no único dia de folga o trabalhador
ou trabalhadora tem que dedicar seu tempo aos serviços domésticos, a famosa
dupla ou tripla jornada.
Barreira para o crescimento profissional: A escala vigente limita a possibilidade
de o trabalhador frequentar uma faculdade, cursos técnicos ou se qualificar,
travando a mobilidade social. Sendo que 82% dos trabalhadores no setor de
comércio e serviços, onde a jornada predomina, não são remunerados com mais
de dois salários-mínimos.
3. Na avaliação do Fórum, o fim da escala poderia trazer impactos positivos para
questões como saúde mental, qualidade de vida e convivência familiar?
Redução drástica do adoecimento: Menos horas trabalhadas diminuem o
estresse crônico e os episódios de burnout, reduzindo o índice de afastamentos
médicos.
Potencialização da produtividade: A redução da jornada permite que as pessoas
trabalhem mais descansadas. O ganho de bem-estar reverte diretamente em
maior foco, eficiência e engajamento no emprego. Empresas brasileiras que já
mudaram o modelo provam que a produtividade aumenta imensamente quando
as pessoas são ouvidas e tratadas com respeito, como relata a empresária
brasileira: Isabela Raposeiras do ramo de alimentos e bebidas, um setor onde a
“6x1” também é muito comum.
Resgate da dignidade e cidadania: Dois dias de folga devolvem minimamente ao
trabalhador o direito de exercer seu papel na sociedade, conviver com seus filhos
e usufruir de direitos humanos básicos, como o lazer.
4. Como o Fórum responde às críticas de que o fim da escala 6x1 poderia
provocar aumento de custos ou até desemprego?
Estudos patronais não possuem embasamento técnico: É fundamental
esclarecer que os levantamentos apresentados pela CNI (Confederação
Nacional da Indústria) e CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens,
Serviços e Turismo) não possuem rigor científico e partem de premissas
alarmistas e ultrapassadas e que não englobam uma visão econômica ampla.
Segundo pesquisadores do Ipea, o estudo da CNC, por exemplo, não demonstra
de forma transparente como chegou ao cálculo de 21% de aumento de custos.
Eles ignoram de propósito que trabalhadores descansados rendem mais e
evitam o ralo financeiro das empresas. E Felipe Pateo afirma: “Mesmo olhando
só para o custo do trabalho em si, a gente mostra que, matematicamente, não
tem como esse aumento ser maior do que 10% porque é exatamente o tempo
de horas que o empregador vai perder em relação ao trabalhador que faz 44
horas semanais”
O custo real é marginal, não explosivo: Dados oficiais da nota técnica do Ipea
comprovam que, ao olhar para o custo operacional total das empresas, o impacto
da redução da jornada é baixíssimo, variando em torno de apenas 1% nos
setores de comércio e indústria.
A concorrência de mercado barra a inflação: Em um mercado competitivo, as
empresas não repassam preços de forma automática sob o risco de perderem
clientes para os concorrentes. A margem de lucro comporta a absorção desse
custo marginal de 1%.
Histórico brasileiro sem desemprego: O argumento do desemprego não se
sustenta na história. O Ipea demonstra que elevações reais significativas do
salário-mínimo, não geraram desemprego ou efeitos negativos no mercado
formal. O mesmo ocorreu na Constituinte de 1988, quando a jornada caiu de 48
para 44 horas sem causar demissões.
Retorno financeiro e estímulo ao comércio local: Experiências reais mostram que
a redução da jornada derruba as faltas (absenteísmo) e a troca constante de
funcionários (rotatividade), gerando economia que permitiu a empresários até
aumentar o salário da equipe. Além disso, a hora liberada do trabalhador gera
maior consumo em atividades de lazer e serviços, criando uma dinâmica
altamente positiva na economia local.
5. O debate sobre a redução da jornada já aparece com frequência entre os
trabalhadores e sindicatos de Uberaba?
Pauta central do dia a dia: O fim da jornada de 44 horas semanais anima mais
de 70% dos trabalhadores de todo o Brasil, dado motivos mostrados
anteriormente, em Uberaba o cenário não é diferente. Os comentários nas
redes socias nessa semana relacionados ao assunto demonstra a ansiedade
do trabalhador uberabense por mais esse avanço. É uma pauta que não é
somente acadêmica, mas ocupa refeitórios, corredores de universidades,
terminais de ônibus e lares cada vez mais esperançosos pela presença mais
frequente de seus entes queridos.
Sindicatos e movimentos sociais na linha de frente: A luta pelo fim da jornada
6x1 permeia o debate público desde 2024, que só vem crescendo nos últimos
dois anos, em manifestações populares na feira da abadia no ano de 2025, o
Fórum dos Trabalhadores de Uberaba, com movimentos de juventudes e
centrais sindicais, deu a linha que o fim da escala atual é desejo do trabalhador.
Estivemos também na marcha da classe trabalhadora no dia 15 de abril de 2026,
pressionando o congresso em nome dos trabalhadores de Uberaba, em Brasília
DF. No dia primeiro de maio, Dia do Trabalhador, historicamente feito na cidade
uberabense por centrais sindicais e movimentos populares, a redução da jornada
também foi a pauta principal, e nesse momento atuamos para que o povo
conquiste mais essa vitória, a maior em termos trabalhistas desde a constituição
de 1988. E temos disposição para retornar a capital a depender das atitudes dos
deputados.
6. Quais setores da cidade seriam mais impactados por uma eventual mudança
nesse modelo de trabalho?
Estímulo ao comércio de bairro e serviços locais: O trabalhador que hoje cumpre
a escala 6x1 gasta seu único dia de folga resolvendo pendências domésticas ou
descansando. Com mais tempo livre, esse consumo tende a se descentralizar.
O cidadão passa a frequentar os pequenos negócios do próprio bairro, fazendo
o dinheiro circular dentro da economia do município. É claro que tal fato anda de
mão dadas com a valorização do salário, mas a redução da jornada é um passo
importantíssimo para cuidar do trabalhador, e é disso que as famílias de Uberaba
necessitam.
Retorno aos cursos e qualificação profissional: Uberaba é um polo de educação
e possui forte tradição universitária e técnica. A jornada extenuante de seis dias
dificulta que o trabalhador frequente o ensino. A redução da jornada abre espaço
para que a base do setor de comércio e serviços volte a estudar, aumentando a
qualificação da mão de obra da cidade a médio e longo prazo.
Reestruturação no varejo e nas grandes redes: O impacto direto de transição de
escala será sentido nos setores que concentram o atendimento ao público em
horários estendidos, como os supermercados, farmácias, magazines e lojas de
shopping. As grandes empresas que operam na cidade possuem margem de
lucro, para absorver a reorganização dos turnos sem sobressaltos.
Mín. 21° Máx. 32°





