A telessaúde no Sistema Único de Saúde (SUS) ultrapassou a marca de 6,3 milhões de procedimentos realizados entre 2022 e 2025 no Brasil, consolidando o atendimento remoto como uma das principais transformações da saúde pública nos últimos anos. Os dados são da Rede Brasileira de Telessaúde, do Ministério da Saúde, compilados pela Organização Nacional de Acreditação (ONA).
No cenário nacional, Minas Gerais aparece entre os estados com maior volume de atendimentos digitais. Segundo o levantamento, o estado contabilizou 1.157.609 procedimentos de telessaúde, o equivalente a aproximadamente 18,24% de todos os registros realizados no país.
O crescimento da modalidade também ampliou o debate sobre segurança clínica, integração de dados e qualidade dos serviços prestados digitalmente, especialmente diante da expansão acelerada da telemedicina e da assistência remota em regiões com menor cobertura médica.
Atualmente, 4.409 municípios brasileiros já realizaram algum tipo de procedimento de telessaúde, o que representa cerca de 79,14% das cidades do país. Entre os atendimentos registrados estão teleconsultas, teleinterconsultas, telemonitoramentos, teletriagens, teleorientações, teleconsultorias e telediagnósticos.
Segundo especialistas da área, a ampliação da saúde digital tem permitido maior acesso da população a serviços especializados, principalmente em cidades menores e regiões afastadas dos grandes centros urbanos.
A gerente geral de Operações da Organização Nacional de Acreditação (ONA), Gilvane Lolato, destacou que a telessaúde deixou de ser apenas uma alternativa emergencial e passou a ocupar um papel estratégico dentro da assistência pública e privada.
“A expansão exige estruturas sólidas de governança, qualidade e segurança para garantir eficiência no atendimento e proteção ao paciente”, afirmou.
A discussão ganhou ainda mais força após o lançamento do novo Manual de Acreditação em Saúde Digital da ONA, apresentado durante a Hospitalar 2026. O documento estabelece critérios voltados à segurança assistencial, integração entre equipes médicas, rastreabilidade de informações e qualidade dos serviços digitais.
Entre as instituições que participaram da validação do manual está o Instituto do Coração (InCor-HCFMUSP), ligado à Faculdade de Medicina da USP. Segundo a instituição, entre 2021 e março de 2026 foram realizadas mais de 25,7 mil teleconsultas e mais de 40 mil atendimentos entre teleinterconsultas e teleconsultorias.
Outro destaque citado foi a Plataforma Nacional de Telemedicina para Teleorientação de Ato Cirúrgico (TAC), que já permitiu a realização de 95 cirurgias teleorientadas em estados como Minas Gerais, Maranhão e Paraíba, conectando equipes locais a especialistas do InCor em tempo real.
Especialistas apontam que o avanço da telessaúde pode impactar diretamente estados com grandes extensões territoriais e municípios afastados dos grandes centros, como diversas regiões do Triângulo Mineiro, onde o acesso rápido a especialistas ainda representa um desafio em determinadas áreas da saúde pública.
A expectativa do setor é de que os investimentos em acreditação e governança digital cresçam nos próximos anos, acompanhando o aumento da demanda por atendimentos remotos no SUS e na rede privada.