A contratação de Virgínia Fonseca pela TV Globo para a cobertura da Copa do Mundo, como repórter do "Domingão com Huck", foi um assunto bastante comentado nas redes sociais e também fora das plataformas, desde que os primeiros rumores da negociação entre a emissora e a influenciadora começaram a surgir há algumas semanas.
Esse movimento da Globo tem dividido a opinião do público, fazendo até mesmo a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) se posicionar sobre o assunto. Por meio de nota divulgada no último dia 25 de maio, a entidade manifestou profunda preocupação em relação à contratação de influenciadores para a realização de coberturas que deveriam ser realizadas por jornalistas e não por criadores de conteúdo digital.
No texto, a Fenaj também pontuou outra decisão da Globo, quando o canal carioca trocou parte da equipe de jornalistas por influenciadores na cobertura dos desfiles das escolas de samba no Carnaval de 2024. Nas redes sociais, a emissora também foi criticada por isso, dando a entender que a prioridade era o engajamento nas redes sociais e não a qualidade da transmissão dos desfiles.
Ainda sobre a Globo, a emissora dividiu a opinião pública em outras ocasiões, quando nomes famosos na internet foram contratados para fazer novelas. Isso fez com que surgisse a história de que, para ganhar um papel, era necessário ter milhões de seguidores nas redes sociais.
Kéfera Buchmann, contratada em 2018 para atuar em Espelho da Vida, e Jade Picon, que atuou em Travessia (2022) e recebeu uma enxurrada de críticas pela performance aquém do esperado, são exemplos emblemáticos de influenciadores nas novelas.
Foi pelo SBT que Virgínia Fonseca deixou de aparecer apenas nos stories e feed das redes sociais. Mirando o público jovem, a emissora fundada pelo finado Silvio Santos (1930-2024) contratou Fonseca, no finalzinho de 2023, para apresentar o "Sabadou com Virgínia".
No entanto, no início deste ano, a influenciadora decidiu não renovar contrato com o canal. Logo, começou uma aproximação com a Globo, tendo Luciano Huck como articulador.
Tanto a contratação de Virgínia quanto a de outros famosos da internet para atuar em áreas como jornalismo e entretenimento, independentemente da emissora, mostra que a influência dos criadores de conteúdo digital interfere até na televisão. Com base em números do mundo virtual, as redes de TV apostam nos influenciadores como uma tentativa de aumentar a audiência, a divulgação de produções televisivas e o alcance de outros tipos de público.
Mas nem sempre essa estratégia dá certo, vide a novela das 21h escrita por Glória Perez, que contou com Jade Picon no elenco e teve média geral de apenas 24,1 pontos na Grande São Paulo, região com medição da Kantar Ibope Media, considerada a mais importante para o mercado publicitário.
Então, lugar de influenciador é só na internet? Na verdade, é preciso lembrar que criador de conteúdo digital também é um ser humano e, a partir desse ponto, essa pessoa pode ocupar qualquer espaço.
Talvez o que gera controvérsia diante do público é a falta de formação específica para determinada função e preparo profissional, quando comparado com quem ficou anos na faculdade para conseguir o diploma de jornalismo, por exemplo. É como se os influencers tivessem aval imediato para assumir determinado cargo só pela fama nas redes sociais.
Sobre esse assunto, o que você pensa, amigo(a) leitor(a)?
A abertura oficial da Copa do Mundo será no próximo dia 11 de junho, no Estádio Azteca, no México. Na TV aberta, a Globo vai transmitir 55 jogos e detém os direitos de exclusividade nas partidas da seleção brasileira e da final do torneio mundial. Outro canal aberto que fará a transmissão é o SBT. A emissora poderá veicular simultaneamente 32 jogos com a N Sports.