Uma proposta que promete provocar debates sobre o futuro das relações de trabalho no Brasil chegou ao centro das articulações políticas nacionais. A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Minas Gerais (Fecomércio MG) apresentou o projeto THDG (Trabalho por Hora com Direitos Garantidos) a lideranças políticas que já aparecem no cenário da corrida presidencial de 2026.
Entre os nomes que receberam a proposta estão o senador Flávio Bolsonaro, o deputado federal Reginaldo Lopes, além dos ex-governadores Romeu Zema e Ronaldo Caiado, ambos apontados como possíveis candidatos à Presidência da República.
A proposta surge em meio às discussões sobre mudanças na jornada de trabalho e ao debate nacional envolvendo o modelo 6x1. Segundo a entidade, o objetivo é criar uma alternativa mais flexível para empregadores e trabalhadores sem eliminar os direitos previstos na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
O modelo prevê que a jornada seja definida por hora, mediante acordo entre empregador e empregado, mantendo carteira assinada e benefícios como FGTS, férias, 13º salário, descanso semanal remunerado e aviso prévio. A diferença é que esses encargos seriam pagos e recolhidos mensalmente de forma antecipada.
De acordo com a Fecomércio MG, a proposta foi construída após consultas a especialistas em direito trabalhista, recursos humanos, sindicatos e representantes do setor empresarial.
Segundo o presidente da entidade, Nadim Donato, a proposta busca atender perfis que vêm demonstrando interesse crescente por modelos mais flexíveis de trabalho.
A expectativa é que o sistema beneficie especialmente jovens que priorizam qualidade de vida, mulheres que buscam maior flexibilidade na rotina e idosos interessados em permanecer ou retornar ao mercado de trabalho sem cumprir jornadas tradicionais.
O projeto também prevê um adicional de 15% sobre o valor da hora normal do piso salarial da categoria e estabelece limites de horas trabalhadas por semana em cada empresa.
A Fecomércio MG defende que o modelo pode contribuir para reduzir a informalidade, aumentar a arrecadação previdenciária e criar novas oportunidades de emprego.
No entanto, por exigir alterações na legislação trabalhista, a proposta depende de aprovação do Congresso Nacional para entrar em vigor.
A apresentação do projeto a representantes de diferentes correntes políticas demonstra que a discussão sobre o futuro do mercado de trabalho já começa a ganhar espaço entre os temas que devem dominar o debate eleitoral de 2026.