A endometriose, doença crônica que afeta cerca de 8 milhões de mulheres brasileiras, voltou ao centro do debate nacional com o lançamento da campanha "Você sente essa dor?", promovida pelo Instituto Alana e desenvolvida pela agência Propeg. A iniciativa busca ampliar a conscientização sobre uma condição que ainda enfrenta barreiras relacionadas ao diagnóstico, ao preconceito e à falta de informação.
Embora a campanha tenha alcance nacional, o tema também reflete uma realidade presente no Triângulo Mineiro. Em cidades como Uberaba, Uberlândia e Araguari, mulheres convivem diariamente com sintomas que muitas vezes são confundidos com cólicas menstruais consideradas "normais", o que pode atrasar a identificação da doença e o início do tratamento adequado.
A endometriose ocorre quando um tecido semelhante ao endométrio, que reveste o interior do útero, cresce fora da cavidade uterina, podendo atingir ovários, trompas, intestino e outros órgãos. Entre os principais sintomas estão dores intensas durante o período menstrual, dor pélvica crônica, desconforto durante relações sexuais e dificuldades para engravidar.
A campanha utiliza elementos da cultura do slam, formato de poesia falada urbana, para estimular a identificação de mulheres com os relatos apresentados. Além disso, foi criado um gesto simbólico de mobilização e uma plataforma digital colaborativa chamada Endométricas , destinada à divulgação de informações científicas e ao compartilhamento de experiências de pacientes.
Segundo especialistas da área da saúde, um dos maiores desafios da endometriose continua sendo o tempo para obtenção do diagnóstico. Diversos estudos apontam que mulheres podem conviver por anos com os sintomas antes de receberem a confirmação da doença.
No Triângulo Mineiro, hospitais, clínicas especializadas e profissionais da ginecologia têm reforçado a importância da investigação precoce diante de sintomas persistentes, principalmente quando as dores interferem na rotina, no trabalho ou na qualidade de vida das pacientes.
A campanha também chama atenção para a necessidade de ampliar o debate sobre saúde feminina e direitos reprodutivos. A proposta é incentivar a busca por informação qualificada e estimular mulheres a procurarem atendimento médico quando identificarem sintomas compatíveis com a doença.
A expectativa dos organizadores é que a iniciativa contribua para reduzir o estigma em torno da saúde menstrual e amplie a conscientização sobre uma condição que afeta milhões de brasileiras, incluindo milhares de mulheres da região do Triângulo Mineiro.