

Um estudo recente publicado na revista científica JAMA Network Open trouxe um alerta importante para a saúde da população idosa: pessoas com anemia podem ter um risco até 66% maior de desenvolver demência em comparação com idosos que apresentam níveis adequados de hemoglobina.
A pesquisa acompanhou 2.282 idosos sem diagnóstico de demência durante aproximadamente nove anos, utilizando dados do Swedish National Study on Aging and Care in Kungsholmen, na Suécia. Durante o período analisado, 15,9% dos participantes desenvolveram algum tipo de demência. Mesmo após ajustes para fatores como idade, sexo, escolaridade e doenças crônicas, a associação entre anemia e declínio cognitivo permaneceu significativa.
Segundo o neurologista Philipe Marques da Cunha, da Afya Educação Médica Belo Horizonte, a anemia reduz a quantidade de hemoglobina no sangue, responsável pelo transporte de oxigênio para os tecidos do corpo, incluindo o cérebro. A redução prolongada desse fornecimento pode comprometer funções importantes como memória, atenção, raciocínio e velocidade de processamento mental.
Embora muitas pessoas associem a anemia apenas à fadiga, especialistas alertam que o quadro pode apresentar sintomas neurológicos e cognitivos relevantes, especialmente em idosos.
Entre os sinais mais frequentes estão cansaço excessivo, sonolência fora do habitual, falhas de memória, dificuldade de concentração, tonturas, vertigens e sensação constante de desequilíbrio. Em situações mais graves, podem surgir confusão mental e alterações de humor.
Outro ponto destacado pelos pesquisadores é a relação entre anemia e deficiência de vitamina B12, condição comum na terceira idade e que pode afetar diretamente o funcionamento do sistema nervoso. A correção dessa deficiência pode contribuir tanto para o tratamento da anemia quanto para a melhora de funções neurológicas.
O problema também chama atenção no cenário nacional. Levantamento publicado no Brazilian Journal of Health Review mostrou que o Brasil registrou 136.110 internações por anemia ferropriva entre 2014 e 2024. Os idosos com 80 anos ou mais foram o grupo mais afetado, respondendo por 23.370 internações no período.
Ainda segundo o estudo, pessoas com 60 anos ou mais concentraram praticamente metade de todas as hospitalizações relacionadas à anemia ferropriva registradas no país durante a última década.
Especialistas reforçam que a prevenção passa por hábitos simples, mas essenciais. Alimentação rica em proteínas, ferro e vitamina B12, acompanhamento médico periódico e a prática regular de atividades físicas estão entre as principais recomendações.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que a anemia afete cerca de 30% da população mundial, tornando o diagnóstico precoce uma ferramenta importante para evitar complicações que podem comprometer a qualidade de vida e a autonomia dos idosos.
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