Caminhos alternativos
Embora a Mosaic anuncie paralização de suas unidades de extração da rocha fosfática e a consequente desativação de unidades produtivas de fertilizantes fosfatados, instaladas no Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba por períodos curtos e previamente definidos em planejamento, seus clientes e, sobretudo e especificamente, as operadoras que atuam em seu entorno já buscam caminhos alternativos, inclusive em outras fontes do mercado. As misturadoras, instaladas ao lado da fornecedora de fosfatados, no Distrito Industrial, à margem do rio Grande, em Uberaba, buscam o seu principal insumo, cuja base é o NPK ( Nitrogênio, Fosforo e Potácio), em regiões mais distantes, como Catalão, em Goiás.
Outros horizontes
Assim como a Mosaic Fertilizantes do Brasil, as gigantes misturadoras, acompanham desde o início a crise do enxofre. Além do alto preço, saindo de 100 dólares para atingir 1.200 dólares a tonelada, viram a matéria-prima chegar a patamares que inviabilizam o mercado de fosfatados. A abertura de outros caminhos mais vantajosos financeiramente com o crescimento do uso do minério na produção de peças, equipamentos e acessórios no campo de metais, trouxe outros horizontes ao mercado. Com mudanças significativas e sinais dos tempos, novas tecnologias de ponta, que envolvem diretamente a transição energética em todo o mundo, cada um se vira como pode em busca de novas alternativas para aquisição de insumos e novos negócios.
Maior reserva
É bem verdade que Minas Gerais detém as maiores jazidas de rocha fosfática do Brasil, situadas em Tapira, Patrocínio e Serra do Salitre. No entanto, as medidas anunciadas pela principal fornecedora do fertilizante fosfatado às misturadoras iniciadas a partir de abril levaram à execução de planejamentos, que vinham sendo minuciosamente estudados, envolvendo encerramentos de atividades, anuncio de venda de ativos, desligamentos de funcionários e paralizações em períodos que vão de 30 a 45 dias por parte da Mosaic. No primeiro momento, fechou as unidades mineroquímico de Araxá e a paralização por 30 dias das atividades em Patrocínio. Dois meses depois emitiu comunicado a clientes e fornecedores dando conta de paralizações também de atividades em Catalão-GO e do Complexo de Mineração de Tapira, munícipio próximo a Araxá.
Redução e economia
Em abril deste ano, quando distribuiu comunicado, inclusive diretamente às autoridades administrativas de Araxá, a Mosaic previu que a paralização das unidades provocaria a redução na produção anual do fosfato em, aproximadamente, um milhão de toneladas. A expectativa é que o impacto no EBITDA ajustado fosse pequeno, devido aos preços elevados do enxofre, sem contar os custos pontuais de desmobilização, alegou a empresa. Na hipótese de venda dos ativos, a multinacional estimou a diminuição de gastos de capital anuais e as despesas operacionais em, aproximadamente, US$ 20 a US$ 30 milhões e US$ 70 a US$ 80 milhões, respectivamente.
Na contabilidade
Ainda com as medidas anunciadas, a empresa apontou previsão de impacto contábil bruto de US$ 350 a US$ 400 milhões no primeiro trimestre de 2026. Desses valores, US$ 275 a US$ 300 milhões referem-se à perda por desvalorização de ativos destinados à venda e a outras baixas contábeis. O restante está relacionado a verbas rescisórias, despesas contratuais e outros custos de desmobilização, tudo isso sujeito a revisões contábeis finais, destacava o comunicado em abril, quando do anúncio de encerramento das atividades. A partir de então foi aberto a segunda parte do planejamento social, com parcerias entre representantes dos funcionários, sindicato, prefeitura e outras entidades para tratar de plano de desligamento e alocação em outras empresas
Nova rota
Os novos caminhos trilhados na produção dos fosfatados, em Araxá, acendeu o alerta para as misturadoras que dependem do produto base para o fertilizante final. No DI-III, em Uberaba, onde estão cerca de cinco ou seis grandes misturadoras de fertilizantes do Brasil, o clima foi de reação emergente e rápida e a saída começou a ser estudada para a execução de plano de ações que levaram as empresas a operarem unidades de produção em Catalão-GO e Serra do Salitre -MG. Nas duas regiões as fornecedoras do fertilizante fosfatados são a CMOC, uma companhia chinesa, sendo a maior produtora de nióbio e fertilizantes fosfatados no Brasil, com operações instaladas nos municípios de Catalão, Ouvidor(GO) e Cubatão(SP), e a EuroChem, o maior projeto global fora da Europa, no comando do Complexo Mineroindustrial da Serra do Salitre.
Novos fornecedores
O fato é que a partir do anúncio de encerramento das operações das unidades de Araxá e a consequente paralização também das operações no Complexo de Mineração de Tapira, onde a rocha é extraída e enviada por mineroduto a Uberaba, as mineradoras colocaram seus planos emergenciais em ação e foram buscar sua principal matéria-prima em outras regiões. Os caminhos mudaram, o fertilizante antes transportado entre Uberaba e Araxá para depois seguir seu destino, passa a ser, ao menos por enquanto, levado de outras regiões, passando por outras rodovias até ganhar o corredor que chega ao mercado consumidor. Quem passa com frequência pela BR-262, trecho entre Uberaba e Araxá, pode perceber a queda no fluxo de caminhões e carretas antes intenso 24 horas por dia.
O fim da crise
A Mosaic, por sua vez, procura tranquilizar o mundo ao seu redor, enquanto busca alternativas dentro de um processo de transição energética. Aos clientes e fornecedores no mercado do fosfatados, alimenta o fim do período de seca e aponta como sustentação cronogramas a curto prazo, como os pré-estabelecidos prazos para as paralizações de Patrocínio, Tapira e Catalão. Garante ter estoque suficiente para atender as misturadoras e demais clientes. Mais ou menos na mesma linha se dá o diálogo com funcionários e toda uma cadeia que envolve a economia de cada um dos munícipios onde tem operações.