Uma declaração do deputado federal Weliton Prado movimentou o cenário político de Uberlândia ao questionar o anúncio de recursos destinados ao Hospital do Câncer. Durante entrevista à rádio Jovem Pan, o parlamentar afirmou que o deputado federal Nikolas Ferreira teria entregue um "cheque sem fundo" durante um evento oficial realizado em março deste ano.
A polêmica envolve uma cerimônia realizada em 12 de março de 2026, quando o vice-governador de Minas Gerais, Mateus Simões, o deputado Nikolas Ferreira e os vereadores Anderson Lima e Janaina Guimarães participaram da apresentação de um cheque simbólico no valor de R$ 10 milhões, destinado a investimentos na saúde da região.
Na entrevista, Weliton Prado afirmou que os recursos anunciados ainda não chegaram ao Hospital do Câncer e questionou a divulgação feita durante o evento. O deputado também declarou que o valor destinado à unidade hospitalar não seria suficiente para a aquisição de um novo acelerador linear de radioterapia.
Após a repercussão, o Grupo Luta Pela Vida, entidade parceira do Hospital do Câncer de Uberlândia (HC-UFU/HU Brasil), divulgou nota oficial esclarecendo que foi procurado pela equipe do deputado Nikolas Ferreira, que manifestou a intenção de destinar recursos para a instituição. Segundo a entidade, no entanto, os valores ainda não ingressaram nos cofres da unidade.
Em nota, o Grupo informou que "aguarda a liberação dos recursos intencionados" e destacou que os investimentos serão aplicados somente após a efetiva disponibilização dos valores e validação pela gestão do hospital. A instituição também esclareceu que atualmente o setor de oncologia dispõe de três aceleradores lineares e um equipamento destinado à braquiterapia.
Em resposta às declarações, o Governo de Minas Gerais informou que os recursos anunciados em março estão assegurados e seguem em tramitação administrativa. Segundo o Executivo estadual, dos R$ 10 milhões apresentados durante o evento, R$ 7,2 milhões serão destinados ao Hospital do Câncer de Uberlândia, enquanto R$ 2 milhões serão direcionados para ações relacionadas ao atendimento ao Transtorno do Espectro Autista (TEA) em Iturama e outros R$ 2 milhões para o Hospital São José, em Ituiutaba.
Conforme o Governo de Minas, os recursos destinados ao Hospital do Câncer foram viabilizados por meio de emenda parlamentar e serão executados pela Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG). O investimento será aplicado na aquisição de um tomógrafo computadorizado e aparelhos de ultrassonografia, e não na compra de um acelerador linear. Ainda de acordo com a nota oficial, a liberação depende da emissão da Guia de Recolhimento da União (GRU), etapa necessária para a transferência dos recursos.
A reportagem que revelou a controvérsia informou ainda que buscou posicionamento do deputado Nikolas Ferreira, do vice-governador Mateus Simões, dos vereadores Anderson Lima e Janaina Guimarães, além da direção do Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia (HC-UFU). Até a publicação da reportagem original, não havia sido encaminhado retorno oficial por parte dos citados.
O episódio gerou repercussão nas redes sociais e no meio político regional, reacendendo o debate sobre a tramitação de emendas parlamentares, a execução dos recursos públicos e a transparência na divulgação de investimentos destinados à saúde.