Momento festivo
O Triângulo Mineiro viveu semana de festa e comemoração. É natural e não é para menos. Esse entusiasmo e empolgação é bom, desde que cause despertar e multiplicações ao quesito infraestrutura. Em questão de dias, sua comunidade foi surpreendida por anúncios dando conta de ação empreendedora de companhias de economia mista(Gasmig e Cemig), com controle acionário e direto do Estado de Minas, projetando investimento da ordem de R$ 1 bilhão, destinados a implantação de 400 quilômetros de gasoduto em quatro pontos, dando início a formação de núcleos de distribuição. Diretamente, esses núcleos estão projetados para Uberaba, Araxá, Uberlândia e Indianópolis. Eram ações que se esperava por parte do setor.
Salutar indicativo
A iniciativa abrange o mundo empresarial e consequentemente o desenvolvimento para uma região que há muito aguarda a chegada do gás, pois, além de propiciar às empresas o desenvolvimento de usinas com vistas à produção do biometano, é um grande passo para distribuir o gás natural do pré-sal, que tem projeções e geram expectativas em traçado que sai do interior do estado de São Paulo para alcançar o centro-oeste, especificamente o Planalto Central. E aí, o ponto de chegada na travessia de fronteira entre os dois estados está Uberaba, uma vez que o projetado gasoduto da TGBC (Transporte de Gás Brasil Central), atravessa o Rio Grande e atinge o Distrito Industrial III, exatamente no Polo Químico, que abriga o maior complexo de fertilizante da América do Sul.
Combustível renovável
Com o objetivo de criar na região do Triângulo Mineiro uma malha capaz de interligar empresas interessadas na instalação de usinas para a produção do gás renovável, a iniciativa, ao mesmo tempo, viabiliza o acesso ao mercado consumidor e alicerça perspectivas de abstecimento. O biometano é um combustível renovável produzido a partir do biogás gerado pela decomposição de resíduos orgânicos, como dejetos de animais e restos de culturas agrícolas. Depois de purificado, ele pode ser utilizado da mesma forma que o gás natural, mas com a vantagem de ser uma fonte renovável. A princípio, o gás será produzido a partir de resíduos orgânicos gerados na Usina Vale do Tijuco, da Companhia Mineira de Açúcar e Álcool (CMAA), em Uberaba.
Gás de transporte
Em se tratando de transporte do gás natural tomou rumos de crescimento, em 2021, com a Nova Lei do Gás e com ela um redesenho na esteira do Programa Gás para Crescer, considerando ainda os desinvestimentos da Petrobrás, que, diga-se, sempre no caminho e buscas de um mercado aberto e mais competitivo. Mais à frente, em 2024, o Decreto do Programa Gás para Empregar (12.153), sinalizou uma ambição legítima do Governo Federal e de boa parte da indústria consumidora do insumo, que se fundamenta na pauta de um movimento para reduzir o custo do gás natural, promovendo competitividade industrial e a geração de emprego. Um desenrolar que atrai mercador consumidor, sem deixar de estabelecesse parâmetros para que ninguém ficasse de fora ou contra o projeto.
O entrave
No entanto, em que pese todo o avanço até aqui, o gás de transporte não depende simplesmente de implantação de tubos para a passagem do insumo, que têm traçado definido até Brasília, onde a iniciativa privada projeta a usina termelétrica, que tem operação mais cara. Desta forma, a partir de agora, a chegada do gás natural à região centro-oeste, depende de tramites políticos no âmbito do Congresso Nacional e decisões que levem ao entendimento na relação com o Governo Federal. Para se ter uma ideia, pela terceira vez, o Senado Federal, por falta de acordo entre lideranças, cancelou a sessão, agendada para o dia 18 de junho, que previa a solução do problema, levando-se em conta análise e a esperada derrubada dos ventos do Presidente Lula ao projeto de Lei que traz emendas sem ligação com o texto original( Lei das eólicas offshore, aprovada pelo Congresso em 2024, que regulamenta a geração de energia em alto mar), os chamados Jabutis, onde está também amarrada a decisão para que seja erguida a usina termelétrica, projetada pela iniciativa privada. O que está em discussão, na verdade, são custos acrescidos à energia elétrica dentro do arcabouço do projeto.
Realça o otimismo
Mais que viabilizar e possibilitar às empresas em produzir o gás renovável, a tão aguardada iniciativa gera um movimento otimista entre grupos de atuação que trabalham também há anos para trazer o gás natural, um projeto que envolve diretamente Governo Federal e os estados de Minas Gerais e São Paulo. Em Minas Gerais, o gás é distribuído pela Gasmig, distribuidora exclusiva de gás canalizado em todo o território mineiro. Já no estado de São Paulo todo o serviço de distribuição do gás está sob o controle e fiscalização da ARSESP, Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo), trazendo consigo três concessionárias, a Comgás – Companhia de Gás de São Paulo( a maior entre elas); a Nectga Gás Natural e a Gás Natural São Paulo São Paulo Sul(Naturgy).
Dois coelhos com uma cajadada
O projeto da Gasmig para o Triângulo Mineiro no tocante à malha a ser construída tem prazo de execução de, aproximadamente, dois anos, mas a chegada do gás natural vindo de São Paulo, que é justamente o produto que entra no Brasil oriundo de Vaca Muerta, na Argentina(considerada a segunda maior jazida de gás de xisto e a quarta de petróleo não convencional do mundo), depende de tramites e decisões políticas em Brasília. Neste caso, quando viabilizado, chegará à Capital Federal, onde também há projeto para a implantação de usina termoelétrica. Todo esse otimismo, e que em muito agrada os envolvidos no projeto do gás de transporte vindo de São Carlos-SP, estará diretamente oficializando a distribuição pela região do Triângulo Mineiro, uma vez que o gasoduto que chega em Uberaba cruzará a região, o que também consolida o que está projetado pelo investimento da Gasmig,. Desta forma, pode se afirmar que Minas Gerais já tem, portanto, no mínimo, a projeção para o atendimento às duas demandas de consumo para o gás(CH4), tanto o renovável como o vindo do pré-sal, encontrado nessas reservas marinhas junto com o petróleo.