Uberaba SAÚDE MENTAL
TRISTEZA OU DEPRESSÃO? ESPECIALISTA DE UBERABA ALERTA PARA SINAIS QUE NÃO DEVEM SER IGNORADOS
Com os casos de transtornos mentais em alta, psiquiatra explica como diferenciar uma reação emocional natural de um quadro de depressão e reforça a importância do diagnóstico precoce.
13/07/2026 18h32
Por: Redação

Com os casos de transtornos mentais em alta, psiquiatra explica como diferenciar uma reação emocional natural de um quadro de depressão e reforça a importância do diagnóstico precoce.

Sentir tristeza diante de perdas, mudanças ou decepções faz parte da experiência humana. No entanto, quando esse sentimento persiste por semanas, interfere na rotina e compromete a qualidade de vida, pode ser um sinal de depressão, um transtorno que afeta milhões de pessoas e exige acompanhamento profissional.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 280 milhões de pessoas vivem com depressão em todo o mundo, tornando a doença uma das principais causas de incapacidade. No Brasil, dados do Ministério da Saúde apontam um crescimento na procura por atendimento em saúde mental nos últimos anos, impulsionado principalmente após a pandemia da Covid-19.

Em Uberaba, referência regional em assistência psiquiátrica, o médico psiquiatra Pedro Borges, do Instituto Maria Modesto (IMM), explica que é importante saber diferenciar a tristeza, considerada uma resposta natural diante de acontecimentos difíceis, da depressão, que é uma doença reconhecida pela medicina.

"A tristeza geralmente está relacionada a um acontecimento específico e tende a diminuir com o passar do tempo. Mesmo sofrendo, a pessoa consegue manter parte da rotina e ainda vivenciar momentos de prazer. Já a depressão persiste por semanas ou meses e provoca perda do interesse pelas atividades, alterações no sono e no apetite, cansaço constante, dificuldade de concentração, sentimentos de culpa, desesperança e prejuízo importante na vida diária", explica o especialista.

De acordo com o psiquiatra, um dos maiores desafios ainda é o preconceito em relação à saúde mental. Muitas pessoas acreditam que basta "reagir" ou "pensar positivo", quando, na realidade, a depressão envolve fatores biológicos, psicológicos e sociais e deve ser tratada como qualquer outra doença.

Pedro Borges destaca que procurar ajuda especializada é fundamental quando os sintomas passam a comprometer o trabalho, os estudos, os relacionamentos, os cuidados pessoais ou permanecem por mais de duas semanas. Outros sinais de alerta incluem isolamento social, crises frequentes de choro, irritabilidade persistente, alterações importantes no sono ou na alimentação, dificuldade para tomar decisões e pensamentos relacionados à morte.

"O tratamento apresenta excelentes resultados quando iniciado precocemente. Quanto antes a pessoa recebe acompanhamento, maiores são as chances de recuperação e menor tende a ser o impacto da doença na qualidade de vida", afirma.

Segundo o especialista, o tratamento é individualizado e pode incluir psicoterapia, medicamentos antidepressivos, quando indicados, além de mudanças no estilo de vida, como prática regular de atividade física, melhora da qualidade do sono e fortalecimento da rede de apoio familiar e social.

Referência em saúde mental

Com 93 anos de atuação, o Instituto Maria Modesto, em Uberaba, é uma das principais referências em saúde mental no interior de Minas Gerais. A instituição é atualmente o único estabelecimento do interior do estado habilitado pelo SUS para internação psiquiátrica integral, atendendo pacientes de mais de 80 municípios.

Além das internações em situações de maior gravidade, o instituto mantém um ambulatório especializado que permite o acompanhamento psiquiátrico sem necessidade de hospitalização, favorecendo a manutenção dos vínculos familiares e sociais durante o tratamento.

A unidade também oferece assistência multiprofissional, com atendimento médico e de enfermagem, terapia ocupacional, atividades físicas, grupos de aconselhamento psicológico, ações voltadas aos direitos humanos e programas de preparação para a alta hospitalar.

Especialistas reforçam que falar sobre saúde mental, combater o preconceito e incentivar a busca por ajuda são medidas fundamentais para ampliar o acesso ao tratamento e reduzir os impactos da depressão na sociedade.