Um chiado constante, um apito, um assobio ou até a sensação de pressão nos ouvidos podem parecer incômodos passageiros, mas especialistas alertam que esses sintomas não devem ser ignorados. Conhecido como zumbido no ouvido, o problema pode indicar alterações na saúde auditiva e impactar diretamente a qualidade de vida, interferindo no sono, na concentração, na produtividade e no bem-estar emocional.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 1,5 bilhão de pessoas convivem com algum grau de perda auditiva no mundo, e o zumbido frequentemente está associado a alterações do sistema auditivo, embora também possa estar relacionado a fatores como estresse, ansiedade, exposição prolongada a ruídos intensos e outras condições de saúde.
A fonoaudióloga e diretora de Marketing e Produtos Latam da WSA, Gisele Munhoes dos Santos, explica que o zumbido não é uma doença, mas um sintoma que merece investigação.
"Muitas pessoas acreditam que ele é normal ou faz parte do envelhecimento, mas pode indicar alterações auditivas importantes e impactar significativamente a qualidade de vida", afirma.
Um dos principais mitos é acreditar que apenas idosos desenvolvem zumbido. Embora o envelhecimento seja um fator de risco para alterações auditivas, o problema também tem sido observado com frequência entre jovens e adultos, principalmente devido ao uso prolongado de fones de ouvido em volume elevado, exposição constante a ambientes ruidosos e aumento dos níveis de estresse.
Outro ponto confirmado pelos especialistas é que estresse, ansiedade e noites mal dormidas podem intensificar a percepção do zumbido, tornando o desconforto ainda maior.
Também não é verdade que todo paciente com zumbido desenvolverá perda auditiva. Apesar de as duas condições frequentemente estarem associadas, nem todas as pessoas apresentam comprometimento da audição, tornando indispensável a realização de exames específicos para identificar a causa.
Especialistas destacam que o zumbido possui tratamento em muitos casos. A abordagem varia conforme a origem do problema e pode incluir terapia sonora, uso de aparelhos auditivos, acompanhamento médico e fonoaudiológico, além de mudanças nos hábitos de vida e controle do estresse.
Quando o zumbido está associado à perda auditiva, aparelhos auditivos podem contribuir para reduzir a percepção do sintoma ao ampliar os sons do ambiente e diminuir o contraste entre o silêncio e o ruído percebido. Algumas tecnologias também oferecem programas específicos para o manejo do zumbido.
Segundo Gisele Munhoes dos Santos, muitos pacientes relatam melhora significativa após a adaptação dos aparelhos auditivos, desde que o tratamento seja individualizado.
Além da exposição frequente a sons intensos, especialistas alertam que alguns hábitos cotidianos podem agravar o desconforto. Sono insuficiente, consumo excessivo de cafeína, bebidas alcoólicas, cigarro e ambientes muito barulhentos podem aumentar a percepção do zumbido em determinadas pessoas.
Médicos e fonoaudiólogos recomendam procurar avaliação especializada sempre que o zumbido surgir de forma repentina, persistir por vários dias, vier acompanhado de perda auditiva, tontura, interferir no sono ou aparecer após intensa exposição ao ruído.
O diagnóstico precoce permite identificar possíveis alterações auditivas e iniciar o tratamento adequado, aumentando as chances de controlar os sintomas e preservar a qualidade de vida.