A menopausa representa uma fase de importantes mudanças no organismo feminino e exige atenção redobrada à saúde do coração. Com a redução da produção de estrogênio, hormônio que exerce efeito protetor sobre os vasos sanguíneos e o metabolismo, aumenta o risco de doenças cardiovasculares, principal causa de morte entre mulheres no Brasil e no mundo, segundo o Ministério da Saúde e a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC).
Além do maior risco de infarto, especialistas alertam que os sinais da doença em mulheres podem ser diferentes dos sintomas considerados clássicos, dificultando o reconhecimento do problema e atrasando a busca por atendimento médico.
De acordo com a médica nutróloga Dra. Mariana Wogel, muitas mulheres percebem mudanças significativas no corpo após os 40 anos e costumam atribuí-las apenas ao envelhecimento ou às alterações estéticas.
Segundo a especialista, a redução do estrogênio provoca transformações fisiológicas que afetam diretamente a saúde cardiovascular.
"Por trás da frase 'meu corpo mudou do nada' existe uma alteração concreta. O que antes tinha proteção hormonal passa a responder de outra forma", afirma.
Entre as principais alterações estão o aumento da gordura abdominal, a piora da resistência à insulina, elevação da pressão arterial, mudanças nos níveis de colesterol e maior processo inflamatório no organismo, fatores que aumentam o risco de doenças cardíacas.
Ao contrário do que muitas pessoas imaginam, o infarto em mulheres nem sempre provoca a intensa dor no peito frequentemente associada ao problema.
Segundo especialistas, os sintomas podem surgir de forma mais discreta, incluindo:
Falta de ar;
Cansaço intenso e repentino;
Náuseas;
Dor nas costas, pescoço ou mandíbula;
Sensação de fraqueza ou exaustão;
Mal-estar sem causa aparente.
Esses sinais muitas vezes são confundidos com ansiedade, estresse, problemas digestivos ou excesso de trabalho, o que pode atrasar o diagnóstico e comprometer o tratamento.
A Dra. Mariana Wogel destaca que o acompanhamento médico durante a menopausa deve ir além do controle dos sintomas hormonais.
Ela recomenda avaliações periódicas que incluam exames laboratoriais, controle da pressão arterial, monitoramento do colesterol, análise de marcadores inflamatórios, acompanhamento da composição corporal e incentivo à prática regular de atividade física.
O cuidado com o sono, alimentação equilibrada e, quando indicado pelo médico, a terapia hormonal individualizada também podem contribuir para a redução dos riscos cardiovasculares.
"Menopausa não precisa ser o começo do adoecimento feminino, mas precisa ser levada a sério", ressalta a especialista.
Dados da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) apontam que as doenças cardiovasculares continuam sendo a principal causa de morte entre mulheres brasileiras. A prevenção, o diagnóstico precoce e o reconhecimento dos sintomas atípicos são considerados fundamentais para reduzir complicações e aumentar as chances de recuperação.
Especialistas reforçam que qualquer sintoma incomum, principalmente em mulheres após a menopausa, deve ser avaliado rapidamente por um profissional de saúde, já que o atendimento precoce pode ser decisivo para evitar consequências graves.