Minas Gerais CINEMA
MOSTRA GRATUITA LEVA RACISMO ÀS TELAS E AO DEBATE EM BH
Evento exibirá quatro curtas-metragens e reunirá especialistas para discutir saúde, educação, gênero e estética entre os dias 19 e 21 de agosto
02/08/2026 16h15
Por: Redação

A primeira edição da Mostra “Luz, Câmera e Resistência” será realizada entre os dias 19 e 21 de agosto no Centro Cultural Venda Nova, em Belo Horizonte. Com entrada gratuita, o evento utilizará produções audiovisuais como ponto de partida para debates sobre racismo, identidade, representatividade e desigualdade no Brasil.

A programação será organizada em torno dos eixos racismo e saúde, racismo e educação, racismo e gênero e racismo e estética. Depois das exibições, o público poderá participar de rodas de conversa conduzidas por especialistas das áreas de saúde, moda, história, ciência política e relações raciais.

As atividades são destinadas a pessoas com idade a partir de 14 anos. A proposta também prevê a participação de estudantes do 9º ano, alunos da Educação de Jovens e Adultos e moradores da comunidade de Venda Nova.

De acordo com Elizabeth Rouwe, idealizadora do projeto, a intenção é promover discussões que ultrapassem as sessões de cinema.

“É um espaço de educação racial para discutir as diferentes manifestações do racismo e como ele atravessa os corpos negros”, afirmou.

QUATRO FILMES NA PROGRAMAÇÃO

A mostra exibirá quatro curtas-metragens produzidos em diferentes períodos e com abordagens relacionadas às experiências da população negra.

“Kbela”, dirigido por Yasmin Thayná e lançado em 2015, apresenta uma narrativa construída a partir das experiências de mulheres negras com o racismo, os padrões estéticos e a construção da própria identidade.

O documentário “Odò Pupa – Lugar de Resistência”, dirigido por Carine Fiúza em 2018, relaciona a história de jovens negros à formação política, social e cultural do racismo no Brasil. A obra também aborda a diáspora africana e a violência racial.

“Vista a Minha Pele”, de Joel Zito Araújo, lançado em 2003, apresenta uma realidade fictícia na qual as posições sociais historicamente marcadas por privilégios e desigualdades raciais aparecem invertidas. A produção é utilizada em atividades educacionais para estimular reflexões sobre discriminação e racismo.

Já “Corpo Preto”, dirigido por Nany Oliveira em 2025, discute o racismo no atendimento médico e as desigualdades enfrentadas por pacientes negros nos processos de diagnóstico e tratamento. A produção recebeu reconhecimento no Cannes Lions de 2025.

ESPECIALISTAS CONDUZEM OS DEBATES

As sessões serão acompanhadas por convidadas com atuação profissional e acadêmica nos assuntos apresentados pelos filmes.

Participam da programação Karina Cristina Rouwe de Souza, enfermeira obstétrica, mestre em Saúde das Populações pela Universidade Federal de Minas Gerais e doutoranda em Saúde Coletiva pela Fiocruz Minas; Maryhn Benedita, designer, cerimonialista e professora de moda; Carla Rosário, doutoranda em Ciência Política pela UFMG e cofundadora do Instituto GENi – Gênero e Interseccionalidades; e Aline Cerqueira, historiadora, professora e doutoranda em História pela UFMG.

Segundo a organização, as rodas de conversa foram planejadas para aproximar diferentes gerações e estimular a participação do público em discussões sobre representatividade, desigualdade, saúde e educação.

O projeto surgiu em 2024 e realizou atividades independentes antes de chegar à primeira edição com apoio institucional. A experiência anterior foi utilizada para desenvolver a metodologia das sessões, formar a equipe e ampliar o contato com o público.

APOIO PÚBLICO

A documentação oficial da Prefeitura de Belo Horizonte confirma que o projeto foi selecionado pelo edital BH nas Telas 2025, na categoria Difusão – Festivais. O resultado publicado pela administração municipal prevê R$ 90 mil para a realização da iniciativa.

O material de divulgação também informa que o projeto foi aprovado pelo Fundo Estadual de Cultura de Minas Gerais. Entretanto, o resultado final do Edital FEC 13/2025 apresenta a proposta como suplente e registra o indeferimento do recurso apresentado. Dessa forma, o apoio financeiro estadual mencionado pela organização não pôde ser confirmado nos documentos públicos consultados.

SERVIÇO

A 1ª Mostra “Luz, Câmera e Resistência” será realizada no Centro Cultural Venda Nova, localizado na Rua José Ferreira dos Santos, nº 184, no bairro Jardim dos Comerciários, em Belo Horizonte.

No dia 19 de agosto, as atividades ocorrerão das 8h às 9h30 e das 15h30 às 17h. Em 20 de agosto, a programação será das 19h30 às 21h. O encerramento será no dia 21, das 8h às 9h30.

A entrada será gratuita e a classificação indicativa é de 14 anos. A programação completa e eventuais atualizações podem ser acompanhadas pelo perfil @‌luzcamera.resistencia no Instagram.