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BOLSAS DISPARAM, MAS DÍVIDA E PETRÓLEO ACENDEM ALERTA

Recuperação histórica na Ásia e avanço de Wall Street contrastam com crescimento da dívida brasileira, desaceleração dos Estados Unidos e tensão no mercado de energia

02/08/2026 às 22h31
Por: Redação
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BOLSAS DISPARAM, MAS DÍVIDA E PETRÓLEO ACENDEM ALERTA

Julho terminou com uma recuperação expressiva dos mercados internacionais, impulsionada pelos resultados de empresas de tecnologia e pela retomada do interesse em ativos relacionados à inteligência artificial. O cenário positivo, entretanto, dividiu espaço com preocupações envolvendo a desaceleração da economia dos Estados Unidos, a alta do petróleo e a situação fiscal brasileira.

O movimento mais intenso aconteceu na Coreia do Sul. O índice Kospi avançou 17,91% na sexta-feira, 31 de julho, registrando a maior valorização diária de sua história. A alta ocorreu depois de o indicador acumular perdas superiores a 17% nas três sessões anteriores.

As ações da Samsung Electronics subiram 26,81%, enquanto a fabricante de semicondutores SK Hynix atingiu o limite diário de valorização, com alta de 30%. Apesar da recuperação, o Kospi encerrou julho com queda superior a 20%, evidenciando a forte volatilidade enfrentada pelo mercado sul-coreano.

Outras bolsas asiáticas acompanharam o movimento. O índice Nikkei, do Japão, ganhou 4,03%, enquanto o principal indicador da Bolsa de Taiwan avançou 7,98%.

A recuperação foi relacionada aos resultados de grandes empresas de tecnologia dos Estados Unidos e à expectativa de que os investimentos bilionários em infraestrutura de inteligência artificial comecem a produzir receitas e lucros mais consistentes.

AMAZON DISPARA E APPLE RECUA

Nos Estados Unidos, a Amazon terminou o pregão com valorização de aproximadamente 15,3% depois de divulgar resultados acima das expectativas, com destaque para o desempenho da divisão de computação em nuvem.

A Apple seguiu na direção contrária e caiu cerca de 7,4%. Apesar de apresentar crescimento das receitas, a empresa divulgou projeções consideradas mais fracas pelo mercado e alertou para dificuldades relacionadas à disponibilidade e ao custo de componentes.

A diferença entre as duas empresas refletiu a seletividade dos investidores diante dos elevados gastos com inteligência artificial. Companhias que demonstraram retorno financeiro mais claro foram beneficiadas, enquanto projeções menos favoráveis provocaram vendas de ações.

O Nasdaq terminou a sexta-feira com alta de 1%, enquanto o S&P 500 avançou 0,7% e o Dow Jones ganhou 0,5%. No acumulado de julho, entretanto, o Nasdaq recuou 3,2%, segundo informações da Reuters.

ECONOMIA AMERICANA DESACELERA

Os dados da atividade econômica dos Estados Unidos limitaram parte do otimismo. A primeira estimativa para o Produto Interno Bruto do segundo trimestre apontou crescimento anualizado de 1,5%.

Segundo o Departamento de Análise Econômica dos Estados Unidos, o resultado foi sustentado pelo consumo das famílias, investimentos e exportações, mas parcialmente compensado pela redução dos gastos governamentais.

A economia norte-americana havia crescido 2,1% no primeiro trimestre. A desaceleração aumenta a atenção sobre as próximas decisões do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, especialmente diante da combinação entre inflação, mercado de trabalho e nível de atividade.

No Japão, o Banco Central manteve a taxa básica de juros em 1%, mas indicou que poderá promover novos aumentos caso os riscos inflacionários avancem. A decisão foi aprovada por oito votos a um e manteve os juros japoneses no maior nível em aproximadamente três décadas.

PETRÓLEO VOLTA A PRESSIONAR

A tensão geopolítica no Estreito de Ormuz também influenciou os mercados. Relatos envolvendo bloqueios e ataques a embarcações aumentaram a preocupação com o transporte mundial de petróleo.

O Brent encerrou a sexta-feira cotado a US$ 87,93 por barril, enquanto o petróleo norte-americano WTI permaneceu próximo de US$ 84. Aproximadamente 20% dos embarques globais de petróleo passam pelo Estreito de Ormuz, segundo a Reuters.

Uma interrupção prolongada nessa rota pode reduzir a oferta internacional, pressionar os preços dos combustíveis e dificultar o controle da inflação. O impacto sobre cada país depende de fatores como câmbio, política interna de preços, impostos e capacidade de abastecimento.

BOLSA BRASILEIRA TERMINA JULHO EM ALTA

No Brasil, o Ibovespa encerrou o último pregão de julho com valorização de 0,47%, aos 177.999 pontos. No acumulado do mês, o principal índice da Bolsa brasileira avançou 3,47%.

O dólar comercial fechou a sexta-feira cotado a R$ 5,070, com alta de 0,17% no dia. Na sessão anterior, a moeda norte-americana havia recuado para aproximadamente R$ 5,06.

O desempenho da Bolsa foi favorecido pelo ambiente internacional, pelos resultados corporativos e pela procura de investidores estrangeiros por ações brasileiras. O avanço, no entanto, ocorreu em meio à divulgação de números que reforçaram as preocupações com as contas públicas.

DÍVIDA BRASILEIRA CHEGA A R$ 10,8 TRILHÕES

A Dívida Bruta do Governo Geral atingiu 81,9% do Produto Interno Bruto em junho, o equivalente a aproximadamente R$ 10,8 trilhões. Em maio, o indicador estava em 81,1% do PIB.

O resultado representa o maior percentual registrado desde 2021. A Dívida Líquida do Setor Público também avançou, passando de 67,9% para 68,5% do PIB, o equivalente a cerca de R$ 9 trilhões.

De acordo com dados divulgados pelo Banco Central, o setor público consolidado, formado por União, estados, municípios e empresas estatais, apresentou déficit primário de R$ 55,3 bilhões em junho. No mesmo mês de 2025, o resultado negativo havia sido de R$ 47,1 bilhões.

Quando são incluídas as despesas com juros, o déficit nominal chegou a R$ 166 bilhões somente em junho. No acumulado de 12 meses, o resultado negativo alcançou R$ 1,318 trilhão, equivalente a 9,99% do PIB.

Os juros nominais somaram R$ 110,7 bilhões no mês e R$ 1,16 trilhão no período de 12 meses encerrado em junho. Esse valor representa 8,8% do PIB.

PREÇOS DA INDÚSTRIA RECUAM

Em sentido contrário à pressão fiscal, os preços da indústria apresentaram redução. O Índice de Preços ao Produtor caiu 0,77% em junho, depois de registrar retração de 0,30% em maio.

O indicador mede a variação dos preços dos produtos na saída das fábricas, sem considerar impostos e fretes. A queda pode representar menor pressão sobre determinados preços ao consumidor, mas sua transmissão não acontece de maneira automática.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o resultado de junho manteve a trajetória negativa observada no mês anterior.

REFLEXOS NO TRIÂNGULO MINEIRO

Para empresas, produtores rurais e consumidores do Triângulo Mineiro, os movimentos do câmbio, do petróleo e dos juros podem produzir efeitos diferentes.

A valorização do dólar pode ampliar a receita em reais de atividades exportadoras, mas também encarece fertilizantes, defensivos, máquinas, equipamentos e outros produtos importados. Já uma alta prolongada do petróleo pode aumentar custos de transporte e logística, especialmente em uma região com forte circulação rodoviária de mercadorias.

O crescimento da dívida pública e das despesas com juros também pode manter pressionado o custo do crédito. Isso influencia financiamentos destinados à produção rural, aquisição de equipamentos, expansão de empresas e consumo das famílias.

Nas próximas semanas, os mercados devem acompanhar novos balanços corporativos, os desdobramentos no Estreito de Ormuz, os indicadores de inflação e atividade econômica e as decisões dos bancos centrais. No Brasil, a trajetória das contas públicas continuará entre os principais fatores avaliados pelos investidores.

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