Minas Gerais ELEIÇÕES 2026
CONVENÇÕES EMBARALHAM CHAPAS E REDESENHAM A ELEIÇÃO EM MINAS
Candidaturas ao governo avançam, disputa por duas vagas no Senado altera alianças e definição sobre Cleitinho mantém parte da direita em compasso de espera
03/08/2026 14h11
Por: Redação

As convenções partidárias realizadas nos últimos dias começaram a definir os candidatos que disputarão o Governo de Minas Gerais, as duas vagas mineiras no Senado e as cadeiras da Câmara dos Deputados e da Assembleia Legislativa. Apesar das confirmações, parte importante do tabuleiro político permanece em movimento na reta final do prazo.

Até a manhã desta segunda-feira, 3 de agosto, as principais indefinições estavam concentradas na candidatura do senador Cleitinho Azevedo, na composição das vagas de vice-governador e na estratégia adotada pelos partidos para o Senado.

As decisões precisam ser concluídas até quarta-feira, 5 de agosto, último dia permitido pelo calendário eleitoral para as convenções. Depois disso, partidos, federações e coligações terão até 15 de agosto para apresentar os pedidos de registro à Justiça Eleitoral.

MATEUS SIMÕES CONFIRMA PROJETO DE REELEIÇÃO

O PSD oficializou no domingo, 2 de agosto, a candidatura do governador Mateus Simões à reeleição. Ele assumiu o Executivo mineiro em março de 2026, após a saída de Romeu Zema para disputar a Presidência da República pelo Novo.

A convenção também confirmou o senador Carlos Viana como candidato à reeleição. Segundo a Itatiaia, a candidatura de Simões conta com o apoio do Novo e do Avante, mas o nome do vice-governador ainda não foi definido.

O Novo apresentou como possibilidades o ex-deputado federal Tiago Mitraud e a vereadora de Belo Horizonte Fernanda Pereira Altoé. O PSD, entretanto, ainda poderá escolher um nome de outra legenda caso amplie sua coligação.

A estratégia de Simões é associar a campanha à continuidade do grupo que governa Minas desde 2019, ao mesmo tempo em que tenta construir identidade própria como governador. A presença de Zema na convenção reforçou a ligação entre o projeto estadual do PSD e a candidatura presidencial do Novo.

PATRUS SERÁ O PALANQUE DE LULA EM MINAS

A federação formada por PT, PCdoB e PV confirmou o deputado federal Patrus Ananias como candidato ao Governo de Minas. A ex-prefeita de Contagem Marília Campos foi escolhida para disputar uma das vagas no Senado.

A composição foi definida depois que o senador Rodrigo Pacheco, filiado ao PSB, anunciou que não concorreria ao governo e que pretende deixar a vida pública ao término do mandato. Pacheco era o nome inicialmente desejado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para liderar uma frente mais ampla no estado.

A desistência obrigou o PT a reorganizar sua estratégia e lançar Patrus, ex-ministro, ex-prefeito de Belo Horizonte e deputado federal. A candidatura cria um palanque próprio para Lula no segundo maior colégio eleitoral do país.

O nome do vice de Patrus e a segunda candidatura ao Senado continuam em negociação. A convenção do PSB, realizada no domingo, não encerrou a discussão. O ex-procurador-geral de Justiça Jarbas Soares Júnior foi apresentado inicialmente como candidato ao Senado, mas também é considerado para outra posição na chapa majoritária.

Conforme noticiou o Portal Impactto, o PSB deixou para 5 de agosto a definição sobre o cargo que Jarbas disputará e sobre a aliança estadual.

KALIL VOLTA À DISPUTA PELO GOVERNO

O PDT oficializou Alexandre Kalil como candidato ao Governo de Minas durante convenção realizada em 26 de julho. Ex-prefeito de Belo Horizonte, ele disputará o Palácio Tiradentes pela segunda vez, depois de ficar em segundo lugar na eleição de 2022.

A legenda ainda não definiu os candidatos a vice-governador e ao Senado. A Executiva estadual recebeu autorização para concluir as negociações até 4 de agosto.

Uma das possibilidades discutidas é uma aproximação com a federação formada por PSDB e Cidadania. O deputado federal Aécio Neves ainda não confirmou se concorrerá ao Senado, embora seu nome apareça entre os mais competitivos nas pesquisas.

A composição possui uma particularidade: nacionalmente, o PDT oficializou apoio à reeleição de Lula, mas, em Minas, Kalil concorrerá contra Patrus Ananias, candidato apoiado pelo presidente. A situação demonstra como as alianças estaduais podem seguir caminhos diferentes dos acordos presidenciais.

MDB CONFIRMA GABRIEL AZEVEDO

O MDB homologou em 1º de agosto a candidatura do ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte Gabriel Azevedo ao Governo de Minas. Ele anunciou que pretende ter uma mulher como candidata a vice-governadora, mas o nome ainda não foi divulgado.

Gabriel tenta ocupar um espaço distante dos principais grupos que atualmente disputam a política estadual. A legenda, porém, ainda poderá concluir negociações e alterar a composição da chapa até o encerramento do período das convenções.

Outras candidaturas também foram oficializadas, entre elas Alexandre Kalil, pelo PDT; Ben Mendes, pelo Missão; Indira Xavier, pela Unidade Popular; e Túlio Lopes, pelo PCB.

A Unidade Popular apresentou uma chapa completa, com Renato Amaral como candidato a vice-governador e Fidélis Alcântara e Ana Luiza do MLB na disputa pelo Senado.

CLEITINHO CONTINUA NO CENTRO DO IMPASSE

Mesmo sem ter sido oficialmente confirmado pelo Republicanos, Cleitinho Azevedo continua sendo o personagem com maior capacidade de modificar as alianças em Minas.

O senador não compareceu à convenção estadual do Republicanos em 25 de julho. Depois da ausência e de sucessivos adiamentos, a direção partidária chegou a sinalizar que buscaria outro caminho para a eleição.

Em 29 de julho, Cleitinho anunciou publicamente que pretende disputar o Governo de Minas e apresentou o ex-prefeito de Patos de Minas Luís Eduardo Falcão como candidato a vice. A decisão pessoal, entretanto, ainda depende da aprovação formal do Republicanos.

A direção nacional da legenda marcou uma nova reunião para esta segunda-feira, 3 de agosto, com a expectativa de encerrar o impasse. A pressão de candidatos às vagas de deputado federal e estadual contribuiu para que o partido reabrisse a discussão.

A permanência de Cleitinho poderá reunir Republicanos, PL, Podemos e a Federação União Progressista, formada por União Brasil e PP. Essa construção também serviria como palanque mineiro para a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro.

Nas articulações discutidas nos últimos dias, Marcelo Aro, do PP, poderia disputar uma das vagas no Senado e o deputado federal Domingos Sávio, do PL, apareceria como possibilidade para a segunda cadeira.

Caso a candidatura de Cleitinho não seja homologada, Marcelo Aro e o ex-presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais, Flávio Roscoe, filiado ao PL, estão entre os nomes mencionados como alternativas para o governo. Nenhuma dessas composições estava oficialmente definida até a manhã de 3 de agosto.

PESQUISA EXPLICA PRESSÃO POR UMA DECISÃO

A resistência dos partidos em abandonar o projeto de Cleitinho está diretamente relacionada ao desempenho do senador nas pesquisas.

No cenário mais amplo da pesquisa Genial/Quaest divulgada em 28 de julho, Cleitinho apareceu com 35% das intenções de voto. Alexandre Kalil registrou 12%, Patrus Ananias ficou com 10% e Mateus Simões alcançou 6%.

A diferença entre Kalil e Patrus está dentro da margem de erro. O levantamento ouviu 1.482 eleitores entre 22 e 26 de julho, possui margem de três pontos percentuais e foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número MG-03490/2026. Os números representam um retrato do período da pesquisa e não uma previsão do resultado das urnas.

Nos cenários sem Cleitinho, a disputa fica mais aberta. Kalil aparece com 15%, Patrus com 13% e Simões com 9%, todos próximos considerando a margem de erro. Os dados foram publicados pela Folha de S.Paulo.

DUAS VAGAS MUDAM A ESTRATÉGIA PARA O SENADO

A eleição de 2026 renovará dois terços do Senado. Em Minas Gerais, duas cadeiras estarão em disputa porque os mandatos de Rodrigo Pacheco e Carlos Viana, eleitos em 2018, chegam ao fim.

Cada eleitor poderá votar em dois candidatos diferentes. Os dois nomes mais votados serão eleitos para mandatos de oito anos, conforme as regras do Tribunal Superior Eleitoral.

A existência de duas vagas transforma o Senado em uma das principais moedas das negociações. Os partidos tentam formar dobradinhas capazes de aproveitar os dois votos do eleitor, acomodar aliados e fortalecer as candidaturas ao governo e à Presidência.

Entre os nomes já oficializados estão Carlos Viana, pelo PSD; Marília Campos, pelo PT; e Áurea Carolina, pela Federação PSOL-Rede. Jarbas Soares aparece momentaneamente como opção do PSB, mas seu destino na chapa ainda poderá mudar.

Aécio Neves, Marcelo Aro, Domingos Sávio, Eros Biondini e outros nomes continuam envolvidos em negociações ou aguardam decisões partidárias.

Na pesquisa Genial/Quaest, Marília Campos apareceu com 18% dos votos totais consolidados no principal cenário, seguida por Aécio Neves, com 16%. Carlos Viana registrou 11%, Marcelo Aro 10%, Domingos Sávio 9% e Eros Biondini 8%. Considerando a margem de três pontos, a disputa pelas posições permanece aberta. Os dados completos foram divulgados pela Exame.

TRIÂNGULO TERÁ PESO NA DISPUTA

Minas Gerais possui 16.377.659 eleitores e representa 10,32% do eleitorado brasileiro. O estado é o segundo maior colégio eleitoral do país, atrás apenas de São Paulo.

O Triângulo Mineiro terá participação importante nessa disputa. Uberlândia possui 538.195 eleitores e é o segundo maior colégio eleitoral de Minas. Uberaba conta com 236.430 pessoas aptas a votar. Juntas, as duas cidades somam 774.625 eleitores, sem considerar os demais municípios da região.

Os números são do Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais.

A indicação de Luís Eduardo Falcão, ex-prefeito de Patos de Minas, para uma eventual chapa com Cleitinho também coloca o Alto Paranaíba diretamente nas negociações majoritárias.

Além do governador e dos dois senadores, Minas elegerá 53 deputados federais e 77 deputados estaduais. Nesses cargos, a eleição ocorre pelo sistema proporcional, no qual a votação total do partido ou da federação influencia a distribuição das cadeiras. Isso aumenta a importância das nominatas regionais e da capacidade dos partidos de buscar votos fora de Belo Horizonte.

PRÓXIMOS PRAZOS

As convenções partidárias terminam em 5 de agosto. O registro formal das candidaturas deverá ser apresentado até 15 de agosto, e a propaganda eleitoral nas ruas e na internet começa no dia 16.

O horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão será exibido de 28 de agosto a 1º de outubro. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro. Caso nenhum candidato ao governo alcance mais de 50% dos votos válidos, o segundo turno ocorrerá em 25 de outubro.

Até o encerramento das convenções, as atas partidárias ainda poderão definir vices, candidaturas ao Senado e alianças que mudem novamente o cenário mineiro.