Minas Gerais SAÚDE
BAIXA UMIDADE EM UBERABA AUMENTA RISCO DE DOENÇAS RESPIRATÓRIAS
Baixa umidade chegou à faixa de perigo potencial no início de agosto; pneumologistas alertam para aumento de doenças respiratórias e agravamento de quadros crônicos.
08/08/2026 16h33
Por: Redação

O início de agosto trouxe um novo alerta para a saúde em Uberaba. Na primeira semana do mês, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu aviso de baixa umidade do ar para o município, com índices entre 20% e 30%, condição classificada como de perigo potencial.

Diante do cenário, pneumologistas do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (HC-UFTM), vinculado à HU Brasil, chamam a atenção para os impactos do período seco sobre o sistema respiratório.

Até o final de julho de 2026, o HC-UFTM havia registrado 143 casos com confirmação viral. O Vírus Sincicial Respiratório (VSR) liderou as ocorrências, com 49 casos, seguido pelo Rinovírus, com 40, Influenza A, com 27, Influenza B, com 12, Adenovírus, com 11, além de três casos de Covid e um de Parainfluenza.

Segundo os especialistas, durante os períodos de seca há aumento de doenças respiratórias virais, pneumonias, inflamações e infecções das vias aéreas superiores, como rinite, sinusite, faringite e bronquite. Também pode ocorrer agravamento de doenças crônicas, entre elas asma, enfisema pulmonar e Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), elevando a procura por atendimento médico e internações.

Crianças, idosos e pessoas que já possuem doenças respiratórias crônicas ou cardíacas estão entre os grupos mais vulneráveis.

A pneumologista Karoline Bento Ribeiro, do HC-UFTM/HU Brasil, orienta que pacientes com asma, enfisema, rinite ou outras doenças respiratórias mantenham o uso das medicações inalatórias conforme prescrição médica, além de manter a vacinação em dia e reforçar a hidratação do organismo e das mucosas.

Baixa umidade afeta proteção natural do organismo

O pneumologista Daniel Hugo Winter, também do HC-UFTM/HU Brasil, explica que o ar seco provoca o ressecamento das mucosas presentes no nariz, garganta, pulmões e também dos olhos.

Com isso, ocorre uma redução da barreira natural de proteção do organismo, deixando a garganta mais irritada, a pele ressecada e o nariz mais suscetível a sangramentos e infecções.

Alguns sinais exigem atenção. Falta de ar, dificuldade para respirar, piora da tosse, chiado no peito, dor ou aperto no tórax, febre alta e persistente, lábios ou pontas dos dedos arroxeados, cansaço extremo e aumento de secreção estão entre os sintomas que indicam necessidade de avaliação médica.

Cuidados durante o período seco

Entre as principais recomendações estão manter a vacinação atualizada, especialmente contra gripe e doenças pneumocócicas, aumentar a ingestão de água, hidratar o nariz com soro fisiológico e evitar exposição à fumaça e às queimadas.

Os especialistas também recomendam evitar atividades físicas ao ar livre entre 10h e 16h, período geralmente mais quente e seco, além de manter os ambientes limpos e arejados para reduzir o acúmulo de poeira.

Lavagem nasal ajuda na prevenção

Outra recomendação destacada pelos pneumologistas é a lavagem nasal com soro fisiológico 0,9%, considerada eficaz e segura para todas as idades quando realizada corretamente.

O procedimento pode ser feito com seringa, garrafa própria ou spray, sem aplicar pressão excessiva. Os especialistas alertam que jatos muito fortes podem levar secreções em direção ao ouvido, provocando desconforto ou até otite.

Também não é recomendado utilizar diretamente água da torneira na lavagem nasal devido ao risco de introdução de microrganismos nas cavidades nasais.

E o umidificador?

Os umidificadores também podem ajudar durante o período de baixa umidade, especialmente à noite. Entretanto, os médicos alertam que o aparelho não precisa permanecer ligado durante toda a madrugada.

O excesso de umidade pode favorecer a proliferação de ácaros e mofo. A orientação é ligar o aparelho cerca de três horas antes de dormir e desligá-lo posteriormente, mantendo ainda a higienização diária do equipamento para evitar fungos e bactérias.

Alternativas simples, como uma bacia com água ou toalhas molhadas próximas à cama, também podem ser utilizadas.

O HC-UFTM é referência de alta complexidade para pacientes dos 27 municípios da macrorregião Triângulo Sul e mantém ambulatórios voltados ao atendimento de pessoas com condições respiratórias graves, conforme o fluxo estabelecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Fonte: HC-UFTM/HU Brasil