O Grupo Casas Bahia vive um dos momentos mais delicados de sua história. As ações da companhia despencaram 33,33% nesta segunda-feira (17), primeiro pregão após o pedido de recuperação judicial apresentado pela varejista à Justiça de São Paulo.
Os papéis BHIA3 encerraram o dia cotados a R$ 0,44, após registrarem perdas ainda maiores durante o pregão. A reação do mercado acontece em meio ao elevado endividamento, prejuízo bilionário, fechamento de centenas de lojas e redução do quadro de funcionários.
O Grupo Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial envolvendo aproximadamente R$ 17,3 bilhões em dívidas.
O processo abrange empresas do grupo e busca permitir a reorganização das obrigações financeiras enquanto a companhia mantém suas atividades e negocia com credores.
A recuperação judicial não representa, por si só, a falência ou o encerramento das operações da Casas Bahia. O mecanismo permite que empresas em dificuldades financeiras busquem uma reestruturação sob supervisão judicial.
A redução da estrutura da companhia já vinha acontecendo antes do pedido de recuperação judicial.
O Grupo Casas Bahia informou o fechamento de 298 lojas, dentro do processo de reestruturação de suas operações. O número representa aproximadamente 29% da rede existente anteriormente.
A estratégia da companhia tem sido reduzir sua estrutura e concentrar as atividades nas operações consideradas mais eficientes.
O processo de reestruturação também provocou uma redução significativa no número de funcionários.
O Sindicato dos Comerciários de São Paulo informou que cerca de 1,9 mil trabalhadores foram atingidos inicialmente pelas demissões em massa e anunciou que pretende questionar judicialmente os desligamentos.
Segundo a entidade, não houve negociação coletiva prévia com o sindicato.
Informações relacionadas ao processo mais amplo de reestruturação apontam ainda para uma redução de aproximadamente 3 mil funcionários no quadro da companhia.
Os números se referem a recortes diferentes: os cerca de 1,9 mil correspondem às demissões em massa questionadas pelo sindicato, enquanto o número próximo de 3 mil considera a redução mais ampla do quadro de pessoal.
A situação financeira ganhou ainda mais atenção após a divulgação dos resultados do segundo trimestre de 2026.
O Grupo Casas Bahia registrou prejuízo líquido de aproximadamente R$ 10,1 bilhões, contra perda de R$ 555 milhões registrada no mesmo período do ano anterior.
Grande parte desse resultado, entretanto, está relacionada a efeitos contábeis extraordinários. Por isso, o valor não representa simplesmente uma saída equivalente de dinheiro do caixa da companhia.
A reação dos investidores ao agravamento da situação financeira foi imediata.
As ações BHIA3 fecharam esta segunda-feira (17) com queda de 33,33%, a R$ 0,44, depois de chegarem a registrar perdas ainda maiores durante as negociações.
O movimento colocou a Casas Bahia entre os principais destaques negativos do mercado acionário brasileiro no dia.
Apesar da dimensão da crise, o pedido de recuperação judicial não significa que a Casas Bahia deixará de funcionar.
A companhia poderá continuar operando enquanto avança na elaboração e negociação de um plano para reorganizar suas dívidas.
O desafio agora será atravessar o processo de recuperação judicial enquanto tenta reduzir seu endividamento e recuperar a capacidade financeira de uma das marcas mais tradicionais do varejo brasileiro.