Entretenimento Do chão ao céu
A trajetória de Evandro Barbosa, o homem que trocou o medo pela liberdade nas alturas
De uma infância humilde em São Paulo aos mais de 3 mil saltos no paraquedismo profissional, Evandro transformou superações, perdas e recomeços em uma vida guiada pela coragem — e pela sensação única de voar.
28/10/2025 21h41
Por: Redação

Evandro Pereira Barbosa, 53 anos, nasceu em São Paulo e cresceu em uma família humilde. Filho de pais separados, desde cedo precisou trabalhar para ajudar em casa. Vendeu pão caseiro aos seis anos, foi engraxate aos oito e já aos 12 tinha seu primeiro registro em carteira. Entre responsabilidades e dificuldades, encontrou refúgio nos esportes radicais paixão que começou após assistir ao clássico ET – O Extraterrestre, que o inspirou a mergulhar no universo do bicicross. Patrocinado por marcas como Monark e Caloi, competiu até os 17 anos, quando deu início à carreira profissional na área de tecnologia, atuando como analista de sistemas. Mas a sede por adrenalina nunca o abandonou.

O primeiro salto: entre imprudência e paixão

Foi em 1991, após assistir ao filme Caçadores de Emoção, que Evandro se apaixonou pelo paraquedismo. Sem condições financeiras, vendeu seu videocassete para pagar o curso. Jovem e destemido, não respeitava os limites do esporte como deveria. A imprudência quase lhe custou a vida, mas também lhe trouxe lições que moldaram sua trajetória. “Naquele tempo, eu só não morri porque Deus não quis. Foi quando percebi que precisava respeitar o paraquedismo e que ele poderia me transformar”, relembra.

Renascimento no esporte

Após uma pausa, em 2014 Evandro voltou a saltar em Boituva, coração do paraquedismo brasileiro. Decidido a se profissionalizar, ingressou no curso AFF (Accelerated Free Fall) e, a partir dali, não parou mais. Conquistou espaço em grandes formações, participou de recordes nacionais e acumulou milhares de saltos. Em 2019, um episódio mudou sua vida novamente: após uma convulsão, passou dias em coma e semanas na UTI. A experiência o fez repensar prioridades. “Perdi o emprego, mas ganhei uma nova chance. Incentivado pela minha parceira Bianca, decidi transformar o paraquedismo na minha vida.” Foi então que iniciou o curso de instrutor tandem, tornando-se profissional na Sky Company Paraquedismo, uma das escolas mais tradicionais do Brasil.

Desafios e conquistas

Evandro já soma mais de 3 mil saltos, entre saltos como atleta, câmera e instrutor. Também participou de 5 recordes brasileiros de grandes formações em queda livre, experiências que ele descreve como inesquecíveis. Mas nem sempre foi fácil. Além de vencer o medo e a própria ansiedade, precisou aprender a controlar o TDAH, que exige disciplina redobrada em um esporte que demanda máxima atenção e segurança. “Foi difícil, mas o paraquedismo me ensinou a transformar minhas dificuldades em força.”

Emoções que ficam para sempre

Entre tantas histórias, Evandro guarda algumas com carinho especial. Uma delas foi saltar com um senhor de 65 anos, que decidiu enfrentar o medo de altura para realizar o sonho que era de seu filho, falecido dias antes em um assalto. “Nós dois choramos no pouso. Foi uma das experiências mais emocionantes da minha vida”, lembra. Outra foi espalhar as cinzas do pai em queda livre, realizando simbolicamente o desejo que ele nunca conseguiu concretizar: saltar ao lado do filho.

O paraquedismo como estilo de vida

Para Evandro, saltar vai muito além do trabalho: “Hoje sou como um surfista que vive pé na areia, mas no meu caso, surfo no céu.” Ele acredita que o esporte ainda precisa de mais incentivo no Brasil, mas garante que é muito mais seguro do que a maioria imagina. “O maior mito é achar que é perigoso. A verdade é que o paraquedismo transforma vidas.”

Sonhos para o futuro

Atualmente, Evandro treina a modalidade Freefly e sonha em participar de um recorde mundial com mais de 300 pessoas em formação. Outro grande desejo é saltar ao lado do filho, perpetuando a paixão pela liberdade no ar. “Quero saltar até o último dia da minha vida. Tenho amigos com mais de 75 anos ainda ativos no esporte, e espero ser um deles.”