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QUATRO GERAÇÕES TRANSFORMAM RECEITAS DE FAMÍLIA EM LEGADO QUE ATRAVESSA DÉCADAS

Dos primeiros doces produzidos no fim dos anos 1960 às vendas em quase todo o país, história da Dona Lázara atravessa quatro gerações e mantém suas raízes no Triângulo Mineiro

Redação
Por: Redação
23/08/2026 às 00h10
QUATRO GERAÇÕES TRANSFORMAM RECEITAS DE FAMÍLIA EM LEGADO QUE ATRAVESSA DÉCADAS

Uma história que começou no fim da década de 1960, dentro de uma cozinha familiar, atravessou gerações, enfrentou crises e recomeços e chegou a diferentes regiões do Brasil. Os Doces Dona Lázara, de Uberlândia, carregam no nome a trajetória de Lázara Terezinha, que encontrou na produção de doces uma maneira de complementar a renda e ajudar no sustento da família.

Mais de cinco décadas depois, o neto Marlon de Oliveira participa da continuidade de um legado que já alcança a quarta geração.

Ainda menino, Marlon acompanhava a avó em uma Variant azul pelas estradas do Triângulo Mineiro. Dona Lázara fazia entregas em armazéns, mercados e barracas às margens das rodovias. Enquanto ela negociava os produtos, o neto acompanhava uma rotina que, anos depois, se tornaria parte importante da história da marca.

UMA HISTÓRIA QUE COMEÇOU COM GOIABADA

No fim da década de 1960, Dona Lázara começou a produzir goiabada cascão para complementar a renda familiar. Com o crescimento da procura, a cozinha foi, aos poucos, transformada também em espaço de trabalho.

Novos produtos passaram a integrar a produção, entre eles a geleia de mocotó, bastante consumida naquele período.

Em busca de novas oportunidades, Dona Lázara mudou-se para Uberlândia e montou uma pequena fábrica. Além da produção, ela acompanhava pessoalmente as vendas e mantinha contato próximo com os clientes.

Segundo Marlon, outra característica da avó era o cuidado na escolha da matéria-prima, princípio que continua sendo uma referência para a família.

DOCE DE LEITE MARCA NOVA FASE

Na década de 1980, Valdete, filha de Dona Lázara, passou a dividir o trabalho com a mãe e iniciou a fabricação de geleias para atender à demanda dos clientes.

Foi também nesse período que surgiu aquele que se tornaria o principal produto do negócio. Valdete adquiriu de uma conhecida da família, em Ituiutaba, uma receita de doce de leite e passou meses fazendo testes e adaptações até chegar ao resultado desejado.

Após a morte de Dona Lázara, Valdete assumiu o empreendimento, comprou a fábrica e deu continuidade ao trabalho iniciado pela mãe. O negócio passou a atuar com o nome UDI Doces e ampliou sua presença durante os anos 1990.

Marlon cresceu acompanhando essa transformação e, ainda adolescente, passou a trabalhar na fábrica ao lado da mãe.

CRISE E RECOMEÇO

Depois de um período de expansão, a empresa enfrentou dificuldades no fim dos anos 1990. Segundo o relato da família, a crise econômica daquele período, somada à inadimplência de clientes, afetou diretamente o negócio.

Sem conseguir manter a estrutura construída nos anos anteriores, Valdete reduziu a produção e concentrou os esforços em um número menor de produtos para manter a atividade.

Marlon seguiu outro caminho profissional. Retomou os estudos, formou-se em História, concluiu mestrado e construiu carreira na área da educação, embora permanecesse ligado à história da empresa.

Décadas depois, ao perceber que a mãe começava a diminuir o ritmo de trabalho, decidiu retornar ao negócio familiar.

HISTÓRIA DA FUNDADORA VIRA IDENTIDADE DA MARCA

O retorno também coincidiu com uma reflexão sobre o posicionamento da empresa. Durante um trabalho de construção de marca, surgiu a sugestão de utilizar o nome de Dona Lázara nos produtos.

A mudança fez com que a trajetória da fundadora passasse a ocupar o centro da identidade da empresa, dando origem à marca Doces Dona Lázara.

O processo de reposicionamento ganhou novo impulso com a participação no Origem Minas, programa do Sebrae Minas voltado à valorização de pequenos produtores. Segundo Marlon, a presença em feiras e outras iniciativas ajudou a apresentar os produtos a novos compradores e ampliar a presença da marca.

QUARTA GERAÇÃO E EXPANSÃO PELO PAÍS

Atualmente, segundo dados divulgados pela empresa, os Doces Dona Lázara comercializam cerca de 30 mil doces por mês, com faturamento mensal de aproximadamente R$ 700 mil.

Os produtos são comercializados em empórios e estabelecimentos especializados em produtos artesanais de quase todos os estados brasileiros, além das vendas realizadas pelas redes sociais.

A história familiar também chegou à quarta geração. Samuel e Gabriel Oliveira, sobrinhos criados por Marlon após a morte do irmão, trabalham atualmente no negócio.

Mais de cinco décadas depois das primeiras goiabadas produzidas por Dona Lázara, a trajetória que começou com uma mulher vendendo doces pelas estradas do Triângulo Mineiro permanece como parte central da identidade da empresa, agora conduzida por novas gerações da família.

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