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CHEFE DA CIA VAI À RÚSSIA E DISCUTE TEMOR DE POSSÍVEL AÇÃO CONTRA PAÍSES DA OTAN
John Ratcliffe se reuniu com autoridades da inteligência russa em Moscou; fontes ouvidas pela Reuters afirmam que possibilidade de operação contra integrante da aliança esteve entre os assuntos abordados
30/08/2026 12h46
Por: Redação
REUTERS

O diretor da Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA), John Ratcliffe, esteve em Moscou nesta semana para uma reunião com autoridades da inteligência russa, em um movimento que chamou atenção em meio às tensões entre Rússia, Ucrânia e países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

A visita ocorreu na terça-feira (25) e foi posteriormente confirmada pelo Kremlin. Segundo o porta-voz Dmitry Peskov, Ratcliffe manteve contatos com representantes dos serviços de segurança russos, mas não se reuniu com o presidente Vladimir Putin. O líder russo, porém, foi informado sobre o resultado das conversas.

Na quinta-feira (27), Sergei Naryshkin, chefe do Serviço de Inteligência Estrangeira da Rússia (SVR), confirmou que esteve pessoalmente com Ratcliffe e classificou o encontro como uma reunião de trabalho. Os detalhes oficiais das conversas não foram divulgados.

POSSÍVEL AÇÃO CONTRA PAÍS DA OTAN ENTROU NA CONVERSA

Segundo a Reuters, duas fontes familiarizadas com o encontro afirmaram que Ratcliffe abordou a possibilidade de uma operação russa contra um integrante da Otan.

As fontes, que falaram sob condição de anonimato devido à natureza das informações de inteligência, disseram, porém, que não estava claro se esse havia sido o principal objetivo da viagem. Outros temas também foram discutidos, incluindo o apoio da Rússia ao Irã.

A informação ganhou repercussão depois que o Wall Street Journal noticiou que o diretor da CIA teria viajado a Moscou para advertir a Rússia contra uma eventual ação envolvendo um país da aliança militar.

Até o momento, não há confirmação de que a Rússia tenha decidido atacar um país da Otan.

TRUMP MINIMIZA VISITA

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, minimizou a interpretação de que Ratcliffe teria sido enviado especificamente para entregar uma advertência a Moscou.

Trump afirmou que o encontro fazia parte dos contatos mantidos entre autoridades de inteligência dos dois países e declarou não acreditar que Putin atacará território da Otan.

A declaração do presidente americano, entretanto, não invalida a informação obtida pela Reuters de que a possibilidade de uma operação contra um integrante da aliança foi abordada durante as conversas.

ZELENSKY DIZ QUE EUA COMPARTILHARAM INFORMAÇÕES

Na sexta-feira (28), o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou que os Estados Unidos compartilharam com a Ucrânia informações sobre reuniões recentes realizadas em Moscou.

Zelensky não detalhou o conteúdo repassado pelos americanos. A Reuters voltou a registrar, na mesma reportagem, que fontes familiarizadas com a visita de Ratcliffe disseram que a possibilidade de operações russas contra um país da Otan esteve entre os assuntos discutidos.

OTAN NÃO VÊ AMEAÇA IMINENTE

Neste domingo (30), uma nova informação trouxe um contraponto importante ao episódio.

Uma autoridade da Otan afirmou à Reuters que a aliança não identifica, neste momento, uma ameaça iminente de ataque direto da Rússia.

Segundo a autoridade, a aliança observa um aumento das chamadas atividades híbridas russas na Europa e permanece vigilante. Moscou nega envolvimento em ações de sabotagem e acusa países ocidentais de alimentarem temores sobre uma eventual agressão russa.

Também neste fim de semana, o presidente da Finlândia, Alexander Stubb, afirmou considerar improvável que a Rússia arrisque um ataque contra um integrante da Otan, embora tenha defendido que a aliança continue preparada.

A visita do diretor da CIA ocorre em um momento de elevada tensão internacional, com a continuidade da guerra na Ucrânia e o acompanhamento, por serviços de inteligência ocidentais, das atividades russas na Europa.