Uma equipe formada por estudantes da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) venceu a primeira temporada de 2026 do Sebrae Supernova, programa nacional voltado ao empreendedorismo e à inovação entre universitários. O resultado foi anunciado em 25 de agosto e garantiu aos integrantes uma viagem internacional com despesas pagas, acompanhados pela professora orientadora.
O projeto vencedor é o AMPA — Aplicativo de Monitoramento para Pacientes Anticoagulados. A ferramenta foi desenvolvida pelos estudantes Erick Lucius, Kauan Rodrigues Barros, Eduardo Rosa e Ana Julia Lourenço, dos cursos de Artes Visuais, Sistemas de Informação e Enfermagem.
A proposta utiliza tecnologia para auxiliar no acompanhamento de pacientes que fazem uso de medicamentos anticoagulantes. A ideia surgiu a partir de uma conversa com Sueli Amorim de Araújo, professora do curso de Enfermagem e orientadora da equipe.
“O acompanhamento de pacientes que utilizam anticoagulantes é algo muito frágil ainda na nossa área. Daí a ideia de criarmos um protótipo para que exista um monitoramento desses pacientes. Os sangramentos precisam ser acompanhados, e o uso do aplicativo pode reduzir os riscos de hemorragias”, explicou a professora.
COMO FUNCIONA O AMPA
Pela proposta desenvolvida pelos estudantes, o profissional de saúde poderá cadastrar no sistema informações como horários e doses dos medicamentos e dados relacionados ao estado de saúde do paciente.
Com essas informações, o aplicativo foi projetado para enviar mensagens diárias pelo WhatsApp lembrando o paciente dos horários da medicação.
O sistema também foi pensado para auxiliar no esclarecimento de dúvidas. Segundo o estudante Kauan Rodrigues Barros, quando houver uma resposta previamente cadastrada pelo profissional responsável, a orientação poderá ser enviada automaticamente e de forma personalizada.
“Quando a dúvida não puder ser respondida com as informações disponíveis, o profissional responsável é acionado. Assim, o paciente pode receber uma resposta efetiva sobre como agir e se deve procurar atendimento médico com urgência”, explicou.
A ferramenta ainda está em desenvolvimento. A equipe avalia a realização de um projeto piloto no ambulatório da UFU para testar e aprimorar a proposta.
Segundo os estudantes, profissionais de outras áreas da saúde já demonstraram interesse em conhecer o modelo e discutir possíveis aplicações em setores como oncologia, neurologia e saúde da família.
Para o líder da equipe, Erick Lucius, a conquista representa o reconhecimento do trabalho desenvolvido pelo grupo. “Ver o AMPA sendo premiado é perceber que todo o esforço está sendo reconhecido”, afirmou.
637 PROJETOS DE TODO O PAÍS
A equipe de Uberlândia chegou ao primeiro lugar em uma competição que recebeu 637 projetos elaborados por estudantes de 576 municípios de todos os estados brasileiros, segundo dados divulgados pelo Sebrae.
A área de Saúde e Bem-estar, na qual se enquadra a proposta desenvolvida pela UFU, concentrou 25,5% das soluções inscritas e foi o tema com maior participação na primeira temporada.
O segundo lugar ficou com estudantes do Instituto Federal da Paraíba (IFPB), responsáveis pelo projeto Raízes do Bem. A equipe recebeu prêmio de R$ 8 mil.
Na terceira posição ficou o projeto KAIROS Edu, da equipe Singularidade, vinculada à Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), com premiação de R$ 4 mil. O quarto lugar foi conquistado pelo projeto Asther, da Universidade Estadual de Maringá, que recebeu R$ 2 mil.
O gerente adjunto da Unidade de Inovação do Sebrae, Rodrigo Rodrigues, afirmou que a proposta do programa também envolve dar continuidade ao desenvolvimento dos projetos participantes.
“O Brasil está representado aqui e o anúncio do resultado da primeira temporada não é um ponto final. É um ponto de partida. O sucesso está nessa jornada para além das equipes premiadas. Todos os projetos receberão feedbacks e poderão alcançar toda a transformação e o impacto que estamos buscando”, declarou.
A vitória coloca uma equipe multidisciplinar da UFU no primeiro lugar de uma disputa nacional e abre caminho para uma nova etapa do AMPA, que poderá passar por testes antes de uma eventual aplicação no acompanhamento de pacientes.