Uberaba EDUCAÇÃO
AOS 66 ANOS, MULHER RETOMA CURSO DE PSICOLOGIA NA UNIUBE E QUER ATUAR COM IDOSOS
Maria Augusta Lima interrompeu a graduação no último ano, na década de 1980, e voltou à universidade décadas depois; hoje, está no 9º período
05/09/2026 12h57
Por: Redação

Depois de passar décadas pensando em voltar à universidade, Maria Augusta Lima retomou um projeto iniciado ainda na década de 1980. Aos 66 anos, ela está no 9º período de Psicologia da Universidade de Uberaba (Uniube) e pretende, após a formação, trabalhar principalmente com idosos.

Natural de Sacramento (MG), Maria Augusta chegou a Uberaba aos seis anos, em 1965. Filha de uma família com cinco filhos, cresceu em uma realidade financeira modesta e começou a construir sua trajetória profissional ainda jovem.

A escolha pela Psicologia também tem relação com uma experiência vivida dentro de casa. A mãe tinha a saúde fragilizada e, além de diabetes, doença de Chagas e problemas cardíacos, recebeu diagnóstico de depressão. Maria Augusta conta que as visitas à mãe durante internações e o contato com outros pacientes despertaram seu interesse pela área.

Acho que ver a condição da minha mãe e dos pacientes internados quando eu ia visitá-la me deu vontade de fazer algo na área”, relata.

UM CURSO INTERROMPIDO POR DÉCADAS

Maria Augusta chegou a iniciar Psicologia na Uniube na década de 1980, mas precisou interromper os estudos no último ano por motivos pessoais.

Nesse período, sua vida seguiu outros caminhos. Trabalhou como balconista em uma ótica, vendeu bordados e crochê em feiras hippies de Uberaba e Ribeirão Preto e posteriormente mudou-se para a cidade paulista.

Em Ribeirão Preto, trabalhou como frentista em uma rede de postos de combustíveis e chegou ao cargo de supervisora. Casou-se em 1989 e adotou dois filhos.

Em 2001, retornou a Uberaba para ajudar na criação dos quatro filhos de um irmão que morreu em um acidente de carro. Na cidade, montou com o marido uma empresa de locação e manutenção de empilhadeiras, que permanece em atividade.

O desejo de concluir Psicologia, porém, continuou.

Passei décadas pensando em voltar. Eu penso que ainda posso fazer a diferença na vida das pessoas e acredito que não precisamos ficar estagnados na velhice. Em um ritmo diferente, dá para seguir com novos projetos”, afirma.

DE VOLTA À SALA DE AULA

O retorno também trouxe novos desafios. Maria Augusta conta que inicialmente teve receio das mudanças na forma de estudar e do uso das tecnologias, mas conseguiu se adaptar com o apoio das colegas.

Agora no 9º período, ela está na reta final da graduação e já prepara o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), que será desenvolvido em trio com o tema “Fim de Vida e Cuidados Paliativos”.

Maria Augusta também realizou um curso de tanatologia em 2018 e está fazendo uma nova formação na área neste ano.

Para ela, discutir a finitude pode contribuir para a maneira como as pessoas enxergam a própria vida.

Temos que pensar na morte para viver melhor, inclusive as nossas relações. Pensar na finitude é um processo que pode enriquecer e transformar nosso jeito de viver o hoje”, diz.

PLANOS PARA TRABALHAR COM IDOSOS

Depois da graduação, Maria Augusta pretende seguir a abordagem Humanista da Psicologia e direcionar sua atuação principalmente ao público idoso.

Já sou idosa, sei como é estar neste lugar. Sei as dores e as delícias do envelhecer”, afirma.

Aos 66 anos, ela também mantém uma rotina voltada à própria saúde. Mesmo estudando à noite, conta que acorda cedo e vai à academia às 6h para fortalecer as pernas e se preparar para os projetos que pretende desenvolver no futuro.

Para Maria Augusta, retornar à universidade depois dos 60 anos vai além da possibilidade de exercer uma nova profissão. A convivência com estudantes de outras gerações também representa uma oportunidade de troca de experiências.

Estar aberto para aprender coisas novas, eu diria, nos mantém cheios de vida. Também penso que a nossa história de vida e os nossos aprendizados podem contribuir de alguma forma com a sociedade”, conclui.

Fonte: Uniube.