

A presença digital já faz parte da realidade de mais da metade das empresas do comércio varejista de Minas Gerais. Segundo a pesquisa E-commerce 2026, realizada pelo Núcleo de Estudos Econômicos e de Inteligência & Pesquisa da Fecomércio MG, 51,1% das empresas pesquisadas possuem presença on-line.
Entre aquelas que já estão no ambiente digital, 72,9% realizam vendas pela internet. A demanda dos consumidores, mencionada por 43,7% dos empresários, e a percepção de que o comércio eletrônico é uma tendência, apontada por 42,4%, aparecem entre os principais motivos para a adoção dos canais digitais.
Para a economista da Fecomércio MG Gabriela Martins, o cenário mostra uma integração crescente entre as operações físicas e digitais.
“O que observamos é uma integração cada vez maior entre o comércio tradicional e os canais digitais. Para muitas empresas, vender on-line não significa abandonar a loja física, mas criar uma nova porta de entrada para o consumidor e ampliar o alcance do negócio”, avalia.
O levantamento mostra que 68,9% das empresas que comercializam pela internet vendem para outras cidades, enquanto 33,8% alcançam consumidores de outros estados. As vendas para outros países aparecem em 8,6% dos negócios.
A integração entre o físico e o digital também está presente na entrega dos produtos. Entre as empresas que trabalham com os dois canais, 70,9% oferecem retirada na loja, enquanto 21,2% permitem a troca de produtos adquiridos on-line na unidade física.
O WhatsApp Business é utilizado por 71,5% das empresas com presença on-line avaliadas sobre o canal. Em 54,8% dos casos, tanto o fechamento da venda quanto o recebimento do pagamento acontecem pelo próprio aplicativo. Outros 33,1% fecham a negociação pelo WhatsApp, mas recebem por outro meio.
As redes sociais estão presentes em 86,1% das empresas com atuação on-line. Entre elas, o Instagram aparece em 99,2% dos negócios pesquisados.
A utilização das redes ainda está concentrada principalmente na divulgação de ações da loja, citada por 87,6%, e na apresentação de produtos, mencionada por 86,7%.
Apesar do crescimento das grandes plataformas de comércio eletrônico, 84,1% das empresas com presença on-line pesquisadas não vendem por marketplaces.
Entre aquelas que utilizam essas plataformas, o Mercado Livre aparece em 54,5%, seguido por iFood (31,8%), Shopee (18,2%) e Amazon (9,1%).
Os sites próprios estão presentes em 25,8% das empresas pesquisadas. Entre aquelas que possuem site, 71,8% já realizam vendas diretamente por esse canal.
O Pix é aceito por 88,7% das empresas que vendem on-line, ficando à frente do cartão de crédito, utilizado por 51,7%, e do cartão de débito, com 41,7%.
Apesar da expansão digital, as vendas pela internet ainda funcionam principalmente como complemento da operação para uma parcela significativa do varejo. Segundo a pesquisa, 39% das empresas afirmam que as vendas on-line representam até 20% do total vendido.
Entre as empresas que pretendem começar a vender pela internet, 88,9% apontam a falta de planejamento como uma dificuldade, enquanto 44,4% mencionam falta de tempo.
Já entre os negócios que não utilizam o comércio eletrônico e não pretendem adotá-lo, 40,4% apontam falta de interesse, 27,7% preferem o modelo presencial e 17% mencionam falta de planejamento ou conhecimento.
Para Gabriela Martins, a presença digital exige mais do que simplesmente abrir um novo canal de vendas.
“O digital amplia o mercado, mas também amplia a necessidade de gestão”, destaca.
A pesquisa aponta ainda que 62,5% dos estabelecimentos pesquisados se sentem seguros em algum nível para trabalhar com vendas pela internet.
Em relação à concorrência, 59,4% dos empresários afirmam que as vendas on-line dos concorrentes não tiveram impacto em seus negócios. Entre aqueles que identificam efeitos negativos, 48,6% apontam a dificuldade de competir com a concorrência como principal motivo.
Fonte: Fecomércio MG – Pesquisa E-commerce 2026
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