Minas Gerais encerrou 2024 reafirmando um título que combina tradição e estratégia: o estado que mais cresceu em turismo no Brasil. Dados da Fecomércio MG, com base no IBGE, apontam que o volume da atividade turística mineira subiu 9,1% entre janeiro e agosto de 2024, o maior índice do país. Além disso, o estado registrou um crescimento de 10,6% na chegada de turistas internacionais, segundo o Ministério do Turismo e a Embratur, totalizando mais de 42,6 mil visitantes estrangeiros em um único ano. A Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais (Secult) confirma que o setor recebeu R$ 37 milhões em repasses do ICMS Turismo no primeiro semestre de 2024, valor direcionado a mais de 500 municípios para melhorias de infraestrutura e incentivo à hospitalidade local.
Esse crescimento não se limita às cidades históricas do estado. O Triângulo Mineiro, região formada por polos como Uberaba, Uberlândia e Araguari, desponta como um novo eixo gastronômico e turístico de Minas. A mesa mineira, com seu tempero afetivo e autenticidade, está se transformando em produto turístico — um fator de decisão para quem viaja.
Uberlândia, por exemplo, foi destacada em reportagem do Estado de Minas (setembro de 2025) como uma cidade de “gastronomia vibrante e vida tranquila”, combinando modernidade urbana com sabores regionais. Segundo a Associação dos Municípios da Microrregião do Vale do Paranaíba (Amvap), o município integra, pela quarta vez consecutiva, o topo do Mapa do Turismo Brasileiro, reconhecimento que reforça sua diversidade gastronômica, o crescimento de cervejarias artesanais e o turismo de lazer. Já Uberaba soma dezenas de restaurantes premiados e locais tradicionais — listados no portal Visite Uberaba —, que vão de cozinhas afetivas a experiências autorais.
Esses dados ganham ainda mais peso diante das informações divulgadas pela Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes). Em 2023, o setor de alimentação fora do lar movimentou R$ 416 bilhões, o equivalente a 3,6% do PIB nacional, segundo relatório da entidade. O estudo revela que a cada R$ 1.000 gastos em bares e restaurantes, cerca de R$ 3.650 retornam à economia por meio de efeitos diretos e indiretos. Em 2024, o setor gerou 230 mil novos empregos, atingindo 5,74 milhões de trabalhadores ativos, o maior número da série histórica.
O impacto é claro: turismo forte significa salões cheios, empregos gerados e identidade valorizada. Para a Abrasel, o desafio agora é fortalecer a integração entre gastronomia e turismo regional, estimulando parcerias entre empresários, prefeituras e associações locais. Essa sinergia pode transformar restaurantes, cafés e bares do Triângulo Mineiro em pontos de visitação e experiências culturais, e não apenas locais de refeição.
A mesa mineira, símbolo da hospitalidade e do encontro, precisa ser entendida como um ativo econômico e turístico. O Triângulo tem vocação para isso: uma região conectada, com infraestrutura, tradição agrícola e uma gastronomia que traduz o espírito mineiro em cada prato. Ao investir em qualificação, identidade e roteiros gastronômicos integrados, os municípios da região podem acessar repasses do ICMS Turismo e participar ativamente da estratégia estadual de valorização do turismo de experiência.
Minas Gerais lidera o turismo no país. Agora, o Triângulo pode liderar a nova rota gastronômica do estado — aquela em que o tempero, a história e o sabor mineiro se tornam destino.