A ministra Cármen Lúcia pediu desculpas à população brasileira durante a sessão extraordinária realizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira (15). Em sua manifestação, ela lamentou a crise enfrentada pela Corte e afirmou que os acontecimentos dos últimos dias provocaram um “mal-estar cívico” no país.
Cármen Lúcia também demonstrou preocupação com o fato de a atenção da sociedade estar concentrada nas tensões envolvendo o Supremo a menos de 20 dias das eleições.
“O Poder Judiciário existe para tranquilizar o povo, e nós geramos intranquilidade”, declarou a ministra.
PEDIDO DE DESCULPAS
Durante a manifestação, Cármen Lúcia afirmou que gostaria de ter contribuído de maneira mais efetiva para acalmar a situação. Ela também criticou a “espetacularização” do caso e da própria sessão.
“Eu peço desculpas ao povo brasileiro”, afirmou.
O pedido de desculpas não representou o reconhecimento de qualquer irregularidade. A ministra se referia ao fato de não ter conseguido, segundo sua própria avaliação, ajudar a reduzir a crise institucional e transmitir a serenidade esperada do Poder Judiciário.
JULGAMENTO FOI SUSPENSO
A sessão discutiu questões relacionadas à Petição 16.662, que envolve a possibilidade de prosseguimento de uma apuração sobre Alexandre de Moraes a partir de um relatório da Polícia Federal relacionado ao caso Banco Master.
O documento reúne supostas mensagens atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e menções ao ministro. Moraes nega ter cometido irregularidades e questiona a legalidade do relatório.
Durante a votação, Cármen Lúcia acompanhou o presidente do STF, Edson Fachin, e se posicionou contra a união dessa análise com outro procedimento relacionado ao ministro André Mendonça.
O placar provisório ficou em 4 votos a 3 pela manutenção dos casos separados. O ministro Flávio Dino, no entanto, pediu vista e suspendeu a conclusão do julgamento. Dessa forma, ainda não houve uma decisão definitiva sobre a possível abertura de investigação.