O comércio de Minas Gerais perdeu ritmo em julho de 2026, mas continua apresentando desempenho superior ao resultado nacional no acumulado do ano quando considerado o varejo ampliado. É o que aponta uma análise da Fecomércio MG baseada na Pesquisa Mensal do Comércio, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Na passagem de junho para julho, o volume de vendas do varejo restrito mineiro caiu 1,2%. No Brasil, a retração foi de 0,8%. O varejo ampliado de Minas, que também considera veículos, material de construção e o atacado especializado de alimentos, bebidas e fumo, recuou 1,3% no mês, enquanto o país registrou crescimento de 0,4%.
Apesar do resultado mensal negativo, o comércio ampliado de Minas Gerais acumula crescimento de 4,1% entre janeiro e julho. O percentual é superior à alta de 1,9% registrada nacionalmente. Nos últimos 12 meses, o avanço mineiro foi de 3,2%, contra 1,2% no Brasil.
O desempenho acumulado do comércio ampliado foi impulsionado principalmente pelo atacado especializado em alimentos, bebidas e fumo, que cresceu 19,1% no ano, e pelo setor de veículos e motocicletas, com avanço de 9,6%.
Na direção contrária, o segmento de material de construção apresentou queda acumulada de 3%.
No varejo restrito, Minas Gerais registra alta de apenas 0,3% entre janeiro e julho, abaixo do crescimento nacional de 1,8%. O resultado estadual foi pressionado pelas quedas de tecidos, vestuário e calçados, de 6,3%; móveis e eletrodomésticos, de 4,8%; livros, jornais, revistas e papelaria, de 3,6%; e combustíveis, de 2,6%.
Entre os resultados positivos aparecem equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação, com crescimento acumulado de 53,2%, e artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos, com alta de 6,5%.
Na comparação com julho de 2025, o setor de equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação registrou crescimento de 138,4%. A Fecomércio MG pondera, entretanto, que a atividade possui menor peso relativo no conjunto do varejo e apresenta elevada volatilidade.
Segundo a economista da Fecomércio MG Fernanda Gonçalves, os dados indicam uma desaceleração pontual, especialmente entre os segmentos mais dependentes de crédito e da renda disponível.
“O resultado de julho mostra uma acomodação do varejo, principalmente em segmentos mais sensíveis às condições de crédito e à renda disponível. Ao mesmo tempo, o acumulado do ano revela que o comércio ampliado mantém uma trajetória positiva em Minas Gerais, sustentada por atividades de peso importante para a economia estadual”, avaliou.
A análise aponta que os consumidores estão mais seletivos. Enquanto produtos essenciais, medicamentos, veículos e o atacado de alimentos ajudam a sustentar o desempenho, categorias relacionadas a bens duráveis, vestuário e construção continuam enfrentando um cenário mais restritivo.