

A Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), o Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais (SJPMG) e o Coletivo Lena Santos de Jornalistas Negras e Negros divulgaram, nesta quinta-feira (17), uma nota conjunta de repúdio à postura do governador de Minas Gerais e candidato à reeleição, Mateus Simões (PSD), durante sabatina promovida pelo jornal O TEMPO na quarta-feira (16).
A manifestação ocorreu após um embate entre Simões e a jornalista Tatiana Lagôa, editora multiplataforma de Cidades de O TEMPO.
Durante a sabatina, a jornalista questionou o governador sobre a atuação do Estado em processo relacionado ao licenciamento ambiental na Serra do Curral e perguntou se, em caso de reeleição, ele manteria essa postura.
Segundo a nota conjunta, Simões interrompeu Tatiana antes da conclusão da pergunta e adotou o que as entidades classificaram como “tom hostil”. Ainda conforme a manifestação, o governador chamou a jornalista de “desleal” e afirmou que ela estaria “defendendo uma tese política”.
A nota reproduz uma declaração de Simões dirigida à profissional durante o episódio.
“Vou deixar você falar e não vou te responder porque você é uma manifestação de posição ideológica e eu não estou aqui para debater com nenhum jornalista”, afirmou o governador, segundo as entidades.
FENAJ, SJPMG e Coletivo Lena Santos também relatam que Simões disse que Tatiana “diminui o tamanho da imprensa”, classificou o questionamento como uma manifestação ideológica e sugeriu que a jornalista disputasse um cargo eletivo.
ENTIDADES DEFENDEM DIREITO A QUESTIONAMENTOS
Para as organizações, a postura ultrapassou uma divergência entre entrevistado e entrevistadora. Na nota, elas consideram “inadmissível” que uma jornalista seja “constrangida, desqualificada ou transformada em alvo de ataques pessoais” durante o exercício profissional. A manifestação também ressalta que Tatiana Lagôa é uma mulher negra.
As entidades defenderam o direito dos jornalistas de fazer questionamentos críticos a autoridades e candidatos durante entrevistas e coberturas eleitorais.
“A atuação de jornalistas em entrevistas, sabatinas e coberturas eleitorais pressupõe justamente a possibilidade de fazer perguntas incômodas, cobrar explicações e confrontar agentes públicos com fatos e decisões que precisam ser esclarecidos perante a sociedade”, afirmaram.
No encerramento, as organizações manifestaram solidariedade a Tatiana Lagôa e disseram que permanecerão vigilantes diante de tentativas de “cerceamento, intimidação ou descredibilização do trabalho jornalístico”.
Também afirmaram não aceitar o que classificaram como “falta de decoro dirigida a uma profissional mulher e negra no exercício de sua atividade jornalística” e reiteraram a defesa da liberdade de imprensa, da dignidade profissional e do direito da sociedade à informação.
OUTRO LADO
Até a conclusão desta matéria, não foi localizada manifestação pública de Mateus Simões ou de sua campanha especificamente em resposta à nota conjunta. O espaço permanece aberto para posicionamento.
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