Minas Gerais já registrou 2.172 solicitações de Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos (Aedo) desde o lançamento do serviço, em 2024. O número coloca o estado na quarta posição nacional.
São Paulo concentra o maior número de manifestações, com 9.399 solicitações, seguido pelo Paraná, com 3.818; Rio de Janeiro, com 2.930; Minas Gerais, com 2.172; e Rio Grande do Sul, com 2.012. A Aedo registra solicitações em todas as unidades da Federação.
Em todo o Brasil, mais de 32 mil pessoas já utilizaram cartórios de notas para manifestar formalmente a intenção de doar órgãos. O assunto ganha importância durante o Setembro Verde, mês dedicado à conscientização sobre a doação, em um país onde mais de 49 mil pessoas aguardam atualmente por um transplante de órgão.
Segundo o Colégio Notarial do Brasil – Conselho Federal (CNB/CF), o procedimento é gratuito e realizado integralmente pela internet. O interessado acessa a plataforma da Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos, disponível no e-Notariado, preenche seus dados e escolhe um cartório de notas para realizar o procedimento.
Na sequência, participa de uma videoconferência com o tabelião para confirmar sua identidade e seu desejo de doar órgãos. O documento é assinado eletronicamente e passa a integrar a Central Nacional de Doadores de Órgãos, que pode ser consultada pelos profissionais autorizados do Sistema Nacional de Transplantes.
A pessoa pode indicar quais órgãos, tecidos ou partes do corpo deseja doar e revogar a autorização a qualquer momento. Todo o procedimento pode ser realizado sem necessidade de comparecimento presencial ao cartório.
Dados dos Cartórios de Notas mostram que 32.587 solicitações de Aedo já foram realizadas no país. Foram 18.659 em 2024, 8.886 em 2025 e outras 5.042 em 2026, segundo os dados mais recentes da plataforma. A redução pode estar relacionada à menor quantidade de campanhas de divulgação da iniciativa.
Os números se inserem em um cenário no qual a demanda por transplantes permanece elevada. Dados do Ministério da Saúde divulgados neste mês apontam que mais de 49 mil pessoas aguardam por um transplante de órgão no Brasil, sendo cerca de 45 mil por um rim.
Em um levantamento separado sobre transplantes de córnea, o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) aponta que 37.719 pessoas estão na fila, número 15% maior que o registrado em dezembro de 2025.
Um dos principais desafios tem sido a autorização familiar. No Brasil, a retirada de órgãos após a morte depende da concordância da família, mesmo quando a pessoa manifestou em vida o desejo de ser doadora.
Atualmente, a taxa média de recusa familiar gira em torno de 45%. Entre os motivos apontados estão o desconhecimento sobre a vontade do potencial doador, além de dúvidas e receios relacionados ao procedimento.
É nesse contexto que a Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos permite que o cidadão deixe formalmente registrada sua decisão.
“A decisão final continua sendo da família”, afirma Eduardo Calais, presidente do CNB/CF. Segundo ele, além de registrar a autorização, é fundamental conversar com os familiares para que eles conheçam previamente a vontade de quem deseja ser doador.
No próximo dia 27 de setembro, é celebrado o Dia Nacional de Doação de Órgãos, data criada para estimular a discussão sobre o tema e incentivar as pessoas a comunicarem aos familiares sua vontade de serem doadoras.
Fonte: Agência Brasil