Minas Gerais TURISMO
FÉRIAS IMPULSIONAM TURISMO MINEIRO EM JULHO, MAS SETOR AINDA BUSCA RECUPERAR TERRENO
Minas Gerais cresce 2,8% no mês e supera a média nacional na comparação anual, mas desempenho acumulado revela que recuperação ainda é parcial
22/09/2026 12h23
Por: Redação

O turismo mineiro encontrou em julho um ponto de respiro. O volume de atividades turísticas em Minas Gerais avançou 2,8% em relação a junho, resultado acima do crescimento de 2,7% registrado no Brasil, segundo análise do Núcleo de Estudos Econômicos e de Inteligência & Pesquisa da Fecomércio MG, com base nos dados da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O resultado interrompeu a trajetória negativa observada no mês anterior e coincide com um período tradicionalmente favorável à circulação de turistas, marcado pelas férias escolares.

O dado mensal, porém, conta apenas parte da história. Na comparação com julho de 2025, Minas Gerais também apresentou desempenho superior ao nacional: crescimento de 1,8% no estado, diante de retração de 1,6% no Brasil. A diferença de 3,4 pontos percentuais mostra que, no recorte anual, a atividade turística mineira conseguiu ampliar o volume de serviços, mesmo diante de um cenário nacional mais fraco.

Para a economista da Fecomércio MG, Fernanda Gonçalves, o resultado de julho deve ser interpretado como uma melhoria conjuntural, mas ainda não como uma reversão completa da trajetória do setor.

“Julho mostra que existe capacidade de recuperação quando fatores sazonais favorecem a movimentação de pessoas e o consumo relacionado às viagens. Minas Gerais cresceu acima da média brasileira tanto no mês quanto na comparação com julho do ano passado. O ponto de atenção é que esse movimento ainda não foi suficiente para compensar as perdas acumuladas ao longo do ano”, avalia.

De janeiro a julho, o volume das atividades turísticas caiu 4,0% em Minas Gerais, enquanto a retração brasileira foi de 1,0%. O estado aparece, assim, entre as unidades da Federação com desempenho inferior à média nacional no acumulado do ano. O contraste fica mais evidente diante de mercados que apresentam expansão, como Bahia, com alta de 5,9%, Rio de Janeiro, com 5,0%, e Espírito Santo, com 2,3%.

O horizonte de 12 meses reforça a dimensão do desafio. Entre agosto de 2025 e julho de 2026, Minas Gerais acumulou queda de 5,3%, o resultado mais desfavorável entre os estados pesquisados pelo IBGE. No mesmo período, o Brasil registrou crescimento de 0,6%. Rio de Janeiro, Bahia e Rio Grande do Sul, por exemplo, obtiveram altas de 6,0%, 5,6% e 5,0%, respectivamente.

“O acumulado em 12 meses é importante porque reduz o efeito de movimentos pontuais. E esse indicador mostra que Minas ainda precisa recuperar uma parcela relevante da atividade perdida. O crescimento de julho é positivo, mas precisa ganhar continuidade para alterar de forma mais consistente o desempenho do setor”, explica Fernanda.

A análise da Fecomércio MG aponta ainda para dois segmentos que ajudam a compreender o comportamento do turismo no estado. O primeiro é o de transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio, que representa 39,67% da estrutura de serviços de Minas Gerais. O segmento acumulou retração de 3,1% no ano e de 2,7% nos últimos 12 meses. Como o transporte de passageiros está diretamente associado à circulação de turistas, um ritmo menor nessa atividade pode limitar o fluxo de viajantes e o consumo de serviços relacionados às viagens.

Outro sinal vem dos serviços prestados às famílias, que incluem atividades relacionadas com lazer, alimentação, entretenimento e outros serviços consumidos durante as viagens. Em Minas Gerais, o segmento avançou 0,6% no acumulado do ano e 0,9% nos últimos 12 meses, enquanto, no Brasil, apresentou crescimentos de 2,2% e 1,6%, respectivamente.

“O turismo não depende apenas da chegada do visitante ao destino. Ele movimenta uma cadeia que passa pelo transporte, alimentação, lazer, hospedagem e entretenimento. Quando esses serviços apresentam menor dinamismo, o efeito acaba aparecendo também no indicador de atividade turística. Por isso, a recuperação precisa ser observada para além de um único mês”, afirma Fernanda.

O desempenho de julho, portanto, coloca Minas Gerais diante de um cenário de duas velocidades. Por um lado, o estado demonstrou capacidade de recuperação e cresceu acima do país nas duas comparações apresentadas. Por outro, as quedas de 4,0% no acumulado do ano e de 5,3% em 12 meses indicam que o avanço ainda é insuficiente para recompor o desempenho perdido.

Para a Fecomércio MG, a evolução dos próximos meses será determinante para verificar se o movimento observado em julho representa apenas o efeito sazonal das férias ou o início de uma trajetória mais consistente de recuperação da atividade turística mineira.