Localizada no Alto Paranaíba, Patos de Minas construiu uma relação com o milho que ultrapassa os limites das lavouras. O cereal está presente na economia, na culinária, nos monumentos, nas manifestações culturais e na história do município, conhecido em todo o país como a Capital Nacional do Milho.
O reconhecimento não está ligado apenas ao volume atualmente produzido no município. A origem dessa identidade passa principalmente pelo pioneirismo de Patos de Minas no desenvolvimento e na produção de sementes de milho híbrido, tecnologia que contribuiu para modernizar a agricultura brasileira.
Um dos principais nomes dessa história é o engenheiro agrônomo e geneticista Antônio Secundino de São José, um dos fundadores da Agroceres e pioneiro no desenvolvimento do milho híbrido no Brasil.
Fundada em 1945, a Agroceres iniciou sua atuação em Patos de Minas em 1948. Naquele período, o município tornou-se uma das primeiras localidades brasileiras a produzir sementes de milho híbrido da empresa.
As primeiras sementes foram produzidas na propriedade de Augusto Caixeta de Queiroz, ex-aluno de Antônio Secundino. A partir de 1950, a estrutura local foi ampliada e a produção passou a ser conduzida em melhores condições.
O uso das sementes híbridas representou uma importante mudança para os produtores rurais. A tecnologia proporcionava lavouras mais uniformes e produtivas, contribuindo para a expansão do cultivo e para a adoção de técnicas mais modernas no campo.
Em 1955, testes realizados pelo Instituto Agronômico de Minas Gerais apontaram que a produção da semente Agroceres 3A em Patos de Minas apresentou o melhor resultado entre as áreas avaliadas no estado.
Esse protagonismo ajudou a transformar o município em referência no setor de sementes e consolidou a presença do milho na economia e na identidade da população patense.
A primeira celebração do município dedicada ao milho ocorreu em 1956, no então povoado de Bom Sucesso, atualmente distrito de Patos de Minas. A iniciativa foi idealizada pela professora Célia Santos de Lima e reuniu atividades culturais, culinárias e artesanais relacionadas ao cereal.
Na área urbana de Patos de Minas, a primeira Festa do Milho foi realizada em 1959. A proposta era valorizar a produção agrícola, movimentar a cidade e projetar o município como um importante centro do setor rural.
Com o passar dos anos, a celebração cresceu e se transformou na Festa Nacional do Milho, a Fenamilho. Realizado tradicionalmente no Parque de Exposições Sebastião Alves do Nascimento, o evento passou a reunir exposições agropecuárias, rodeios, leilões, atividades culturais, pratos típicos e grandes apresentações musicais.
Em 2025, a Fenamilho foi reconhecida por lei como manifestação de relevante interesse cultural do Estado de Minas Gerais.
Em 17 de maio de 1965, o Decreto Federal nº 56.286 instituiu o Dia Nacional do Milho, destinado a estimular e orientar o cultivo do cereal no país. O decreto, porém, determinava que o Ministério da Agricultura definisse anualmente a data e o local da celebração.
A definição permanente ocorreu em 2015, quando a Lei Federal nº 13.101 estabeleceu que o Dia Nacional do Milho seria celebrado todos os anos em 24 de maio.
A data coincide com o aniversário de Patos de Minas e reforçou ainda mais a ligação histórica do município com o cereal.
Atualmente, os maiores volumes de produção de milho estão concentrados principalmente na região Centro-Oeste. O município de Sorriso, em Mato Grosso, aparece entre os principais destaques nacionais do setor.
Ainda assim, a identificação de Patos de Minas como Capital Nacional do Milho permanece ligada ao papel histórico do município na modernização da cultura do cereal, na produção de sementes híbridas e na construção de uma tradição que atravessa gerações.
O milho está presente nos eventos, na culinária e nos espaços públicos da cidade. O município abriga o Memorial do Milho, criado para preservar documentos, fotografias e objetos relacionados à Fenamilho e à história do cereal na região.
Pratos como pamonha, mingau, caldo, bolo e suco de milho também fazem parte da tradição local. Em 2019, o modo de fazer a pamonha foi registrado como patrimônio cultural imaterial de Patos de Minas.
Mais do que uma atividade agrícola, o milho tornou-se um elemento da memória e da identidade patense. Foi essa combinação entre pesquisa, inovação, produção rural, cultura e tradição que fez Patos de Minas levar para todo o Brasil o nome de Capital Nacional do Milho.
Com informações da Prefeitura de Patos de Minas, Câmara dos Deputados, Unipam, Assembleia Legislativa de Minas Gerais e IBGE.