O estado de Minas Gerais registrou uma queda de 12,7% nos crimes violentos em 2023, em comparação com 2022, segundo o mais recente anuário da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp). No entanto, ao se debruçar sobre a região do Triângulo Mineiro, composta por municípios como Uberlândia, Uberaba, Araguari, Ituiutaba e Iturama, o panorama se mostra bem menos uniforme.
Em Uberlândia, o município aparece entre os mais seguros do estado para sua faixa populacional, com uma taxa de homicídios estimada em 10,4 por 100 mil habitantes. O índice coloca a cidade em sétimo lugar no ranking de segurança de Minas entre municípios com mais de 100 mil habitantes. Por outro lado, em Araguari, apesar de recuos anteriores, foi identificada uma tendência de aumento em homicídios, com crescimento de mais de 72% no acumulado do ano. Já Ituiutaba figura como um caso positivo, com taxa de homicídios estimada em 8,9 por 100 mil habitantes e ocupando o quarto lugar estadual.
As diferenças mostram que, embora o estado avance no combate aos crimes violentos — que englobam homicídios consumados e tentados, roubos, estupros e sequestros — o Triângulo Mineiro abriga realidades distintas. Uberlândia e Uberaba demonstram consolidação de padrões de segurança mais estáveis, enquanto outras cidades da região ainda enfrentam variações acentuadas e desafios a serem superados.
Para Uberaba, os números apontam um ritmo de queda que se aproxima de um recuo de quase 80% em crimes violentos na última década, conforme levantamento local, embora esse dado ainda precise de acompanhamento contínuo para confirmar uma tendência sustentável.
O que esse mosaico revela é que, mesmo em uma região de economia pujante e relativa estabilidade social, a segurança pública não é homogênea. Fatores como intervenções policiais, logística de patrulhamento, malha rodoviária, escoamento de produtos agrícolas e rotas de transporte influenciam diretamente os índices locais, especialmente em municípios como Iturama, que se situam próximos a divisas e corredores logísticos.
Com a próxima campanha eleitoral à vista, o tema da segurança emerge como pauta de pressão. Candidatos e partidos já percebem que não basta prometer redução da criminalidade no interior. Será necessário mostrar resultados concretos, mapa por mapa, bairro por bairro. No Triângulo Mineiro, quem entender essa dinâmica terá vantagem. Ignorar as assimetrias regionais pode tornar a vitória mais difícil, especialmente quando o eleitor percebe que os números sobem e descem em ritmos diferentes dependendo de onde se olha.