O comércio varejista ampliado de Minas Gerais registrou crescimento de 4,7% no volume de vendas em agosto de 2026, na comparação com o mesmo mês de 2025. O resultado ficou acima da média nacional, que apresentou avanço de 0,1% no período.
Os dados são da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e analisada pelo Núcleo de Estudos Econômicos da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Minas Gerais (Fecomércio MG).
O desempenho mineiro foi impulsionado principalmente pelas vendas de veículos, motocicletas, partes e peças, além do atacado especializado em produtos alimentícios, bebidas e fumo.
Na comparação com julho de 2026, já descontados os efeitos sazonais, Minas Gerais apresentou crescimento de 1%, enquanto o comércio ampliado brasileiro registrou queda de 0,2%.
Dois segmentos tiveram destaque no resultado do comércio ampliado mineiro.
O atacado especializado em alimentos, bebidas e fumo registrou crescimento de 19,1% em agosto, na comparação com o mesmo mês de 2025. Já o comércio de veículos, motocicletas, partes e peças avançou 12,8%.
No Brasil, os resultados dessas atividades foram de queda de 1,4% no atacado especializado e crescimento de 1,5% no comércio de veículos.
Segundo a economista Fernanda Gonçalves, da Fecomércio MG, os números refletem diferentes comportamentos de consumo.
A especialista avalia que, no setor alimentício, consumidores pressionados pelo endividamento e pelas taxas de juros têm buscado alternativas com melhor relação entre preço e quantidade, como os estabelecimentos de atacarejo.
No comércio de veículos, a economista aponta a influência dos incentivos fiscais do Programa Carro Sustentável e da concorrência entre montadoras, que ampliou descontos e condições especiais de compra.
Juntas, essas duas atividades representam aproximadamente um terço do indicador do comércio ampliado mineiro, o que contribui para explicar seu peso no resultado estadual.
Apesar do crescimento do comércio ampliado, o varejo restrito de Minas Gerais apresentou desempenho mais moderado.
Esse indicador considera atividades diretamente ligadas ao consumo cotidiano, como supermercados, farmácias, lojas de roupas e calçados, móveis, eletrodomésticos e outros estabelecimentos varejistas.
Em agosto, o volume de vendas do varejo restrito mineiro cresceu 1,1% em relação ao mesmo mês de 2025, acima da média brasileira de 0,4%.
Entretanto, no acumulado de janeiro a agosto, o crescimento de Minas Gerais foi de apenas 0,4%, enquanto o Brasil avançou 1,7%.
Entre os setores que apresentaram retração no estado durante os oito primeiros meses do ano estão tecidos, vestuário e calçados, com queda de 6,2%, e móveis e eletrodomésticos, com recuo de 4,5%.
Também registraram resultados negativos os segmentos de livros, jornais, revistas e papelaria, com retração de 3,8%, e combustíveis e lubrificantes, com queda de 2,8%.
Para Fernanda Gonçalves, os resultados demonstram as dificuldades enfrentadas por atividades importantes do comércio diante do endividamento das famílias e das elevadas taxas de juros.
O segmento de materiais de construção também apresentou retração, com redução de 7,7% nas vendas em agosto, na comparação anual, e queda acumulada de 3,6% entre janeiro e agosto.
Na direção contrária, alguns segmentos do varejo restrito registraram crescimento expressivo.
O comércio de equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação apresentou alta de 149,6% em agosto, em relação ao mesmo mês do ano anterior.
No acumulado de janeiro a agosto, o segmento registrou expansão de 62,8%.
Apesar dos percentuais elevados, essa atividade representa aproximadamente 0,3% do comércio ampliado mineiro, o que limita sua influência isolada sobre o resultado geral.
Outro destaque foi o comércio de artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos, com crescimento de 2,7% na comparação anual e alta acumulada de 6% nos oito primeiros meses do ano.
Já o segmento de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo apresentou avanço de 1,4% em agosto, mas acumula crescimento de apenas 0,1% no ano.
No acumulado de janeiro a agosto de 2026, o comércio varejista ampliado de Minas Gerais registrou crescimento de 4,2%, acima da expansão nacional de 1,7%.
Nos 12 meses encerrados em agosto, o estado apresentou alta de 3,9%, enquanto o Brasil registrou crescimento de 1,4%.
No varejo restrito, porém, Minas acumulou expansão de 0,9% nos últimos 12 meses, abaixo da média nacional de 1,6%.
Os resultados revelam diferentes ritmos no comércio mineiro. Enquanto veículos e atacado especializado impulsionam o desempenho geral, setores tradicionais continuam enfrentando dificuldades.
A evolução dos próximos indicadores permitirá avaliar se a recuperação observada em agosto também alcançará os segmentos que permanecem em retração.
Fonte: Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Minas Gerais (Fecomércio MG), Núcleo de Estudos Econômicos, com dados da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC/IBGE), referentes a agosto de 2026.