As campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL), adversários no segundo turno das eleições presidenciais de 2026, formalizaram nesta quinta-feira, 22 de outubro, um acordo para a abertura simultânea de seus sigilos bancários, fiscais e telefônicos.
O entendimento foi apresentado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília, após dias de negociações, desafios públicos e divergências entre representantes das duas candidaturas.
O documento prevê a autorização para a abertura dos dados, mas a divulgação efetiva das informações ainda depende de decisão judicial. O pedido está sob análise do ministro André Mendonça.
Representantes das duas candidaturas estiveram no Tribunal Superior Eleitoral nesta quinta-feira para tratar das condições de divulgação das informações.
Segundo a Jovem Pan, o documento encaminhado ao ministro André Mendonça autoriza a abertura imediata, total e simultânea dos sigilos bancários, fiscais e telefônicos dos candidatos.
A autorização de Lula foi assinada pelo próprio presidente. Flávio Bolsonaro foi representado por sua advogada, Maria Claudia Bucchianeri, que assinou por procuração.
Pela campanha petista, participaram das tratativas representantes políticos e partidários, entre eles o presidente nacional do PT, Edinho Silva, e o senador Camilo Santana.
Do lado de Flávio Bolsonaro, estiveram presentes Maria Claudia Bucchianeri e Deltan Dallagnol.
O entendimento prevê que as informações sejam disponibilizadas ao público, desde que cumpridas as condições estabelecidas e autorizada a divulgação.
A proposta não se limita aos dados pessoais dos dois candidatos.
No caso de Lula, o pedido envolve informações de familiares, do Instituto Lula e da empresa L.I.L.S. Palestras.
Em relação a Flávio Bolsonaro, as negociações também incluíram informações de familiares, empresas relacionadas ao senador, contas no exterior e mensagens trocadas com o empresário Daniel Vorcaro.
Um dos pontos de divergência durante as tratativas foi a inclusão de informações da Alcazar Holdings, empresa ligada ao advogado Willer Tomaz.
A holding também apresentou manifestação ao TSE aceitando a abertura de seus dados e negando que Flávio Bolsonaro tenha sido seu sócio, administrador ou beneficiário.
A inclusão de terceiros e empresas no acordo não significa que todos os documentos já tenham sido apresentados ou tornados públicos.
Mesmo com o entendimento formalizado, as campanhas continuaram divergindo sobre a apresentação e a análise dos documentos.
Representantes de Flávio Bolsonaro defenderam a possibilidade de verificar previamente o material apresentado pela campanha de Lula.
Já aliados do presidente sustentaram que a abertura das informações deveria ocorrer simultaneamente, conforme os termos negociados.
As manifestações ocorreram após uma sequência de cobranças públicas entre os dois lados sobre o cumprimento do desafio de transparência.
A proposta foi encaminhada ao ministro André Mendonça, responsável pela análise do pedido no TSE.
As campanhas trabalham com a possibilidade de tornar as informações públicas ainda nesta quinta-feira (22), antes do debate presidencial previsto para sexta-feira (23).
Reportagens publicadas ao longo do dia mencionam prazos distintos para a apresentação e divulgação dos documentos, incluindo o limite de 23h59.
Até a conclusão desta conferência, as fontes consultadas confirmavam o acordo, mas não uma decisão definitiva determinando a divulgação integral dos dados.
Portanto, o compromisso firmado não deve ser confundido com a efetiva abertura pública dos sigilos.
A negociação teve início após um desafio apresentado por Lula durante o debate presidencial realizado no domingo, 18 de outubro, pela Band.
Na ocasião, o presidente propôs a abertura de informações financeiras e telefônicas dos candidatos e de seus familiares.
Flávio Bolsonaro apresentou condições para aceitar a proposta, dando início a uma série de negociações sobre quais documentos, pessoas e empresas seriam incluídos.
O impasse ganhou novos desdobramentos ao longo da semana, até o acordo formalizado nesta quinta-feira.
Lula e Flávio Bolsonaro disputam o segundo turno das eleições presidenciais, marcado para domingo, 25 de outubro de 2026.
Fontes: Jovem Pan, Folha de S.Paulo, Agência Brasil e Poder360 — publicações consultadas em 22 de outubro de 2026.