A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), confirmada após o segundo turno das eleições presidenciais de domingo (25), provocou forte reação nos mercados financeiros na manhã desta segunda-feira, 26 de outubro de 2026.
O EWZ, principal fundo de índice (ETF) de ações brasileiras negociado nos Estados Unidos, chegou a registrar queda próxima de 27% nas negociações anteriores à abertura oficial do mercado americano, segundo levantamento divulgado pela ADVFN.
A movimentação acendeu um alerta entre investidores sobre a possibilidade de forte desvalorização da Bolsa brasileira e eventual acionamento do mecanismo conhecido como circuit breaker, que interrompe temporariamente as negociações em situações de quedas acentuadas.
O EWZ é um fundo negociado no mercado americano que acompanha o desempenho de uma carteira de ações de empresas brasileiras, utilizando como referência o índice MSCI Brazil.
Segundo a ADVFN, o fundo chegou a ser negociado a US$ 31,30 na manhã desta segunda-feira, em um movimento de desvalorização próximo de 27%.
A queda também foi registrada por outros veículos especializados. A Exame informou que, por volta das 8h54, o EWZ recuava 25,29%, cotado a US$ 31,82.
Os percentuais representam momentos diferentes das negociações de pré-mercado e podem variar rapidamente.
A desvalorização do EWZ no exterior não significa que o Ibovespa tenha registrado automaticamente uma queda da mesma proporção no Brasil.
A reação negativa também atingiu recibos de ações de empresas brasileiras negociados no mercado americano.
De acordo com os dados divulgados pela ADVFN, os papéis da Petrobras chegaram a registrar quedas próximas de 20%, enquanto os ativos do Itaú recuavam mais de 25%.
A mineradora Vale também apresentava desvalorização, com perdas superiores a 5% nas negociações anteriores à abertura regular.
Os movimentos refletem a cautela dos investidores diante do resultado eleitoral e das expectativas sobre os rumos da política econômica brasileira.
A intensidade das quedas no exterior elevou a preocupação com a abertura do mercado brasileiro nesta segunda-feira.
Profissionais do mercado financeiro consultados pela Reuters, conforme repercussão da ADVFN, avaliaram a possibilidade de acionamento do circuit breaker na B3.
O mecanismo é utilizado para interromper temporariamente as negociações quando o Ibovespa apresenta uma queda muito acentuada.
Pelas regras da Bolsa brasileira, uma desvalorização de 10% em relação ao fechamento anterior provoca uma paralisação de 30 minutos. Se a queda atingir 15% após a retomada, a interrupção passa a ser de uma hora.
Uma queda de 20% pode levar a uma nova suspensão, por prazo definido pela B3.
Apesar das expectativas, a possibilidade de acionamento do mecanismo não significa que sua utilização esteja confirmada.
Além do mercado de ações, investidores acompanham os possíveis efeitos do resultado eleitoral sobre o câmbio.
A ADVFN informou que operadores projetavam pressão de alta sobre o dólar, com possibilidade de abertura acima de R$ 5,30.
O comportamento da moeda americana também dependerá das negociações ao longo do dia e das condições de liquidez do mercado.
Na sessão anterior, o Ibovespa havia encerrado em alta de 0,47%, aos 205.082 pontos, enquanto o dólar fechou próximo de R$ 4,99.
A reação dos investidores ocorre após a confirmação da continuidade do governo Lula para o período de 2027 a 2030.
Analistas ouvidos por veículos especializados apontam preocupações relacionadas à política fiscal, à trajetória dos gastos públicos e às perspectivas para os juros e a economia brasileira.
Parte do mercado vinha incorporando aos preços dos ativos a possibilidade de alternância de poder, o que ampliou os ajustes após o resultado eleitoral.
A forte movimentação registrada no início desta segunda-feira representa uma reação imediata dos investidores e não determina, isoladamente, o desempenho futuro da economia brasileira.
O comportamento do Ibovespa, do dólar e das ações ao longo do pregão será decisivo para avaliar a dimensão efetiva dessa reação no mercado nacional.
Fontes: ADVFN, Exame, Reuters e Folha de S.Paulo — informações divulgadas em 26 de outubro de 2026.