A população de baleias-jubarte no Brasil passou de aproximadamente 1,5 mil indivíduos no início da década de 1990 para mais de 35 mil na estimativa realizada em 2022. O crescimento é um dos principais marcos dos 30 anos do Instituto Baleia Jubarte, instituição que atua na pesquisa e na conservação da espécie no litoral brasileiro.
Os dados foram apresentados em reportagem da Agência Brasil, publicada nesta segunda-feira, 2 de novembro de 2026. Embora a população tenha apresentado uma recuperação expressiva, pesquisadores ressaltam que o trabalho de monitoramento continua necessário diante dos impactos das atividades humanas e das mudanças climáticas.
As baleias-jubarte foram intensamente caçadas no Brasil desde o período colonial, principalmente para a extração de gordura utilizada na produção de óleo.
A caça foi proibida no país em 1987. No ano seguinte, pesquisadores identificaram uma pequena população sobrevivente na região de Abrolhos, no litoral da Bahia, durante atividades relacionadas à implantação do parque marinho.
A descoberta impulsionou a criação do Projeto Baleia Jubarte, desenvolvido por pesquisadores como Enrico Marcovaldi e Márcia Engel.
Em 1996, a iniciativa foi formalizada como Instituto Baleia Jubarte, ampliando as atividades de pesquisa e proteção da espécie.
Na primeira estimativa populacional realizada pelos pesquisadores, no início dos anos 1990, foram identificados aproximadamente 1,5 mil a 2 mil indivíduos.
A recuperação ao longo das décadas contribuiu para que a espécie deixasse a lista brasileira de animais ameaçados de extinção em 2014.
De acordo com o Instituto Baleia Jubarte, a estimativa populacional realizada em 2022 apontou mais de 35 mil indivíduos.
O levantamento utiliza sobrevoos de uma extensa faixa do litoral brasileiro, entre São Paulo e Rio Grande do Norte.
O cálculo referente a 2026 ainda está em elaboração e poderá indicar um número inferior ao registrado em 2022.
Segundo os pesquisadores, essa eventual redução não significa necessariamente uma regressão na conservação da espécie, já que a distribuição das baleias varia entre as temporadas.
O arquipélago de Abrolhos, no litoral sul da Bahia, é uma das regiões mais importantes para a reprodução das baleias-jubarte.
Esses animais migram anualmente das águas próximas à Antártica para o litoral brasileiro, onde ocorrem o acasalamento e o nascimento dos filhotes.
Durante as pesquisas, as baleias são identificadas por fotografias da parte inferior de suas caudas, que apresentam desenhos únicos, semelhantes a impressões digitais.
O Instituto também realiza coleta de amostras biológicas e utiliza tecnologias de análise de imagens para acompanhar os indivíduos e compreender seus deslocamentos.
Apesar da recuperação populacional, as baleias-jubarte continuam expostas a ameaças ambientais.
Entre as principais preocupações dos pesquisadores estão a poluição dos oceanos, os microplásticos, as alterações climáticas e os impactos provocados por atividades humanas no ambiente marinho.
Um dos focos das pesquisas é a relação entre a temperatura das águas próximas à Antártica e a disponibilidade de krill, pequeno crustáceo que constitui uma importante fonte de alimento para as jubartes.
A redução da oferta desse alimento pode afetar as condições de saúde, a reprodução e a sobrevivência dos animais.
Ao longo de sua trajetória, o Instituto Baleia Jubarte se tornou uma importante referência para estudos sobre a espécie no Brasil.
Segundo os dados divulgados pela Agência Brasil, mais de 700 estudantes de graduação já participaram de seu programa de estágio.
A instituição também colaborou com aproximadamente 60 projetos de mestrado e doutorado e com a publicação de mais de 130 artigos científicos.
Além das pesquisas de campo, o instituto contribui com informações técnicas para políticas públicas de conservação marinha.
A recuperação das baleias-jubarte no litoral brasileiro demonstra a importância das medidas de proteção adotadas ao longo das últimas décadas, incluindo o fim da caça comercial e a continuidade do acompanhamento científico.
Fonte: Agência Brasil — reportagem de Tâmara Freire, publicada em 2 de novembro de 2026, com informações do Instituto Baleia Jubarte.