Uberlândia já contabiliza 1.608 casos de violência contra a mulher em 2025, no período de 1º de janeiro a 11 de novembro, segundo dados da Polícia Civil de Minas Gerais divulgados pelo Portal da Vigilância em Saúde. O número representa uma média alarmante de cinco ocorrências por dia.
De acordo com o levantamento, o crime de ameaça lidera o ranking, com 275 registros, seguido por violência física, com 234 casos. A polícia também recebeu 136 chamados por descumprimento de medidas protetivas de urgência e 84 por perseguição (stalking).
Casos de violência psicológica somaram 67 registros, enquanto a violência sexual chegou a 44 ocorrências. O levantamento ainda inclui crimes como injúria, dano, difamação, invasão de dispositivo eletrônico, violação de domicílio, sequestro e cárcere privado.
O Portal da Vigilância informa ainda que, em 2025, Uberlândia registrou três casos de feminicídio, sendo um consumado e dois tentados. Em 2024, o município havia contabilizado 2.063 casos de violência contra a mulher e 38 feminicídios, sendo 19 consumados e 19 tentados. Na comparação, houve queda superior a 90% nos homicídios contra mulheres, mas os crimes cotidianos seguem em nível crítico.
Atendimento pelo SUS escancara a gravidade do problema
O Sistema Único de Saúde também confirma a dimensão da violência: 1.040 atendimentos médicos relacionados a agressões contra mulheres foram registrados apenas em 2025 em Uberlândia. A maior incidência de vítimas está na faixa etária entre 20 e 39 anos, com 436 casos.
Segundo os dados, 83,7% das agressões ocorrem dentro das residências, o que caracteriza a violência doméstica como o principal cenário dos crimes. Outros 7,4% aconteceram em vias públicas, 2,9% em escolas e 1,76% em bares e locais similares.
Quanto ao perfil racial das vítimas:
O cenário em nível nacional é ainda mais assustador
Em âmbito nacional, os dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que o Brasil registrou, em 2024, mais de 245 mil casos de violência doméstica e 1.463 feminicídios, o maior número desde o início da série histórica. Isso significa que, a cada 6 horas, uma mulher é assassinada no país apenas por ser mulher.
Dados do Ministério das Mulheres apontam ainda que o número de pedidos de medidas protetivas cresceu mais de 20% nos últimos dois anos, o que reflete tanto o aumento da violência quanto uma maior busca por proteção.
Especialistas alertam que a maioria dos casos ainda é subnotificada, principalmente por medo, dependência financeira e convivência direta com o agressor.
Denúncia salva vidas
As denúncias de violência contra a mulher podem ser feitas pelo telefone 180, que funciona 24 horas por dia, ou diretamente na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM). Em casos de emergência, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo 190.