

Falamos diariamente sobre a força feminina. Sobre o quanto é pesado ser forte todos os dias. Mas alguém já parou para imaginar o peso que também recai sobre os homens? Ser forte o tempo inteiro, o tempo todo, sob uma cobrança social quase desumana?
Se pede o telefone de uma mulher, é assédio.
Se elogia, é assédio.
Se chora, é fraco.
Se está desempregado, é encostado.
Se se envolve com uma mulher que já tem filhos, pode responder por pensão socioafetiva.
Se se defende de uma agressão, vira agressor.
Enquanto isso, nós, mulheres, temos a Lei Maria da Penha — que também serve para homens, sim — mas sejamos honestas: quantos homens realmente denunciam?
Vou citar um caso real, de um amigo querido. Ele tentou colocar fogo no próprio corpo. Sua ex-esposa, dentro da convivência, apresentava comportamento narcisista. Controlava até a roupa que ele vestia. Comprava tudo, escolhia tudo. Ele não podia sair, não podia jogar videogame, não podia ouvir música. Tudo virava briga. Ele se calou por muito tempo — até explodir.
Ele a agrediu? Não.
Ele se agrediu.
Ela seguiu sua vida. Ele, até hoje, tem medo de se relacionar.
Acompanhei por cinco anos a vida de outro homem. Um empresário, pai dedicado, marido fiel. Moravam em uma casa confortável, viviam uma rotina que muitos julgariam perfeita. Ele fazia tudo: atendia aos desejos da esposa, sustentava a casa, a família, a fé, os sonhos. Um dia, ela foi embora deixando duas crianças pequenas e uma confissão cruel: traía desde o início do relacionamento e era viciada em pornografia.
Ele entrou em tratamento contra ansiedade e pânico. Reorganizou a vida para trabalhar e cuidar dos filhos sozinho.
Imaginem se fosse o contrário.
Conheço outro homem que adoeceu para cuidar da esposa, diagnosticada com transtorno borderline, depressão e ansiedade. Duas crianças pequenas. Dependentes do SUS para tratamento psiquiátrico. Com risco de internação. Ele trabalha, sustenta a casa, enfrenta limitações financeiras e guarda para si toda a dor, toda a angústia, mantendo a calma para cuidar da companheira.
Outro deixou o Rio Grande do Norte para acompanhar a esposa em Uberaba. Trabalhador, açougueiro, andava seis quilômetros por dia para economizar o vale-transporte. Um dia, ao chegar em casa à noite, encontrou apenas um colchão e suas roupas jogadas. A esposa havia ido embora com as filhas. Sem despedida. Sem explicação. Depois veio a verdade: as visitas ao pai eram desculpas para traições.
Durante a apuração desta coluna, ouvi relatos de mulheres que confessaram ter feito denúncias falsas apenas por vingança. Outras diziam provocar porque “ele não pode revidar”. Algumas afirmavam trair sem qualquer culpa, porque sabiam que a palavra delas seria suficiente para destruir a vida do homem.
Os dados mostram que mais de 70% dos suicídios no mundo são de homens. E eu pergunto: por quê?
Falta de apoio.
Falta de empatia.
Falta de escuta.
E uma criação que ainda ensina que homem não chora, não sofre e não pode demonstrar fraqueza.
Hoje encerro esta coluna dizendo:
Homens, meu nome é Juliana. Eu vejo vocês. Eu escuto vocês. Vocês também são seres humanos.
E agora falo diretamente às mulheres que me leem:
quem aqui não tem um primo, um irmão, um filho ou um amigo que já sofreu em um relacionamento abusivo?
Vivi um relacionamento abusivo. Na minha história, houve uma mulher que se aproveitou da fragilidade emocional do filho para estimular comportamentos que destruíram a todos. Não escrevo para atacar mulheres. Escrevo para defender o equilíbrio, a verdade e a humanidade.
Minha defesa é clara, direta e inegociável:
HOMENS SÃO SERES HUMANOS.
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