O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), foi oficialmente convocado pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS e deverá comparecer ao Congresso Nacional para prestar esclarecimentos sobre a atuação da Zema Crédito, Financiamento e Investimento, empresa familiar que opera no mercado de empréstimos consignados.
A convocação foi aprovada pela comissão e tem caráter obrigatório. De acordo com a legislação que rege as CPIs, a ausência sem justificativa aceita pode resultar em condução coercitiva e comunicação ao Ministério Público para análise de eventual crime de desobediência.
Apesar da gravidade do ato, a ida de Zema à CPMI é vista por sua assessoria como uma oportunidade política. A avaliação interna é de que, por estar em condição de pré-candidato ao Palácio do Planalto em 2026, o governador pode utilizar a exposição nacional do colegiado para ampliar sua projeção e reforçar críticas que já vem fazendo ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o rombo no INSS.
A convocação foi solicitada pelo deputado federal Rogério Correia (PT-MG), que argumenta que a Zema Crédito atuou no mercado de consignados oferecidos a beneficiários investigados pela CPMI. Segundo o parlamentar, auditorias da Controladoria-Geral da União (CGU) teriam identificado falhas e cobrança de taxas acima da média do mercado, inclusive em empréstimos vinculados ao Auxílio Brasil, linha de crédito na qual a financeira figurou entre as instituições autorizadas pelo Banco Central.
O requerimento destaca ainda que a empresa pertence ao Grupo Zema, do qual o governador mineiro é herdeiro e ex-administrador, o que, segundo o texto, exige especial atenção da comissão.
Durante a sessão, o deputado Marcel Van Hattem (Novo-RS) tentou barrar a convocação, afirmando que Zema já havia se colocado à disposição para comparecer por convite e classificou a decisão como “uma descortesia”. O argumento, no entanto, não foi suficiente para impedir a aprovação do requerimento.
Um segundo pedido, que solicitava a quebra dos sigilos bancário e fiscal da Zema Crédito, Financiamento e Investimento, foi rejeitado pela CPMI durante a votação.
Em ofício encaminhado à comissão, Romeu Zema informou que não integra a administração da empresa desde outubro de 2018. No documento, afirmou que não há esclarecimentos a serem prestados por ele sobre a atuação da financeira e declarou ser acionista minoritário, ressaltando que eventuais explicações cabem à diretoria da companhia.
A convocação do governador insere Minas Gerais no epicentro de uma das maiores investigações em curso no Congresso Nacional e promete intensificar o embate político em torno do INSS, dos consignados e do cenário eleitoral de 2026.