À medida que a tecnologia avança e o acesso à internet se torna rotina, um efeito colateral cresce em ritmo alarmante: os golpes e fraudes virtuais. Em Minas Gerais, o cenário já preocupa especialistas, autoridades e entidades de defesa do consumidor. Uma pesquisa realizada pela Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Minas Gerais (FCDL-MG) revelou que 87,7% dos mineiros já foram vítimas de ao menos uma tentativa de golpe ou fraude, um número que escancara a fragilidade da segurança de dados no dia a dia da população.
Segundo o levantamento, os prejuízos financeiros variam de R$ 50 a R$ 14 mil, dependendo do tipo de golpe, sendo as ligações telefônicas o canal mais utilizado pelos criminosos para enganar vítimas. Mensagens por SMS, WhatsApp e e-mails falsos também aparecem como estratégias recorrentes para roubo de informações pessoais e financeiras.
A assessora jurídica da FCDL-MG, Sara Sato, reforça que a prevenção começa pela informação. Ela alerta para cuidados simples que podem evitar grandes dores de cabeça, como não clicar em links suspeitos, desconfiar de contatos não verificados, evitar fornecer dados pessoais por telefone e checar com cautela perfis e ofertas nas redes sociais.
Além dos prejuízos financeiros, os transtornos gerados pela exposição de dados pessoais podem ser ainda maiores quando as vítimas demoram a agir. “Registrar um boletim de ocorrência e ativar alertas de documentos são medidas essenciais para reduzir os danos”, explica Sara.
Nesse contexto, o presidente da FCDL Minas, Frank Sinatra, destaca o serviço gratuito SPC Alerta, oferecido pelo SPC Brasil. A ferramenta impede que documentos roubados ou fraudados sejam usados em compras e contratos sem autorização do titular. Para ativar o serviço, basta comparecer à CDL do município com o boletim de ocorrência e preencher o formulário. A partir daí, qualquer consulta ao CPF gera um alerta para os comerciantes.
Outras ferramentas também ajudam a barrar a ação dos criminosos. A JUCEMG oferece um sistema de alerta para impedir a abertura indevida de empresas com dados roubados, enquanto o BC Protege+, do Banco Central, bloqueia tentativas fraudulentas de abertura de contas. Dados do próprio BC apontam que 145,5 mil pessoas já ativaram a proteção, resultando em 1,9 milhão de consultas realizadas por instituições financeiras.
O crescimento acelerado desse tipo de crime expõe uma nova realidade: proteger o CPF e os dados pessoais deixou de ser cuidado opcional e passou a ser uma questão de sobrevivência digital.