Frutal Saúde pública
Câncer avança no Triângulo Mineiro e acende alerta: mortes crescem até três vezes mais que a população
Dados oficiais mostram aumento expressivo de óbitos por câncer em Uberlândia e Uberaba; especialistas alertam para impacto da prevenção tardia e gargalos no atendimento
10/12/2025 08h07
Por: Redação

O câncer vem avançando de forma silenciosa, porém consistente, no Triângulo Mineiro. Levantamento do Observatório de Oncologia, com base em dados do Ministério da Saúde, revela que as mortes por tumores cresceram significativamente nos últimos dez anos nas duas maiores cidades da região: Uberlândia e Uberaba.

 

Em Uberlândia, o aumento foi de 22,9% no período analisado. Em 2014, foram registradas 694 mortes por câncer; já em 2023, o número subiu para 853 óbitos, com predominância de casos entre mulheres.

 

Em Uberaba, a alta também preocupa: 18,8% de crescimento nas mortes. O município passou de 371 óbitos em 2014 para 441 em 2023, sendo a maioria das vítimas do sexo masculino.

 

Os dados reforçam uma tendência nacional. Segundo pesquisadores do Observatório de Oncologia, caso não haja mudanças estruturais nas políticas públicas de saúde, o câncer pode se tornar a principal causa de morte no Brasil até 2029, superando doenças cardiovasculares.

 

Realidade regional expõe desafios

 

No Triângulo Mineiro, que atende pacientes de dezenas de municípios vizinhos, a pressão sobre o sistema de saúde é crescente. Hospitais de referência em Uberlândia e Uberaba recebem pacientes de toda a macrorregião, o que amplia filas para diagnóstico, início de tratamento e acompanhamento oncológico.

 

Especialistas apontam que parte do aumento dos óbitos está ligada ao diagnóstico tardio, fator decisivo para o agravamento da doença. Outro ponto sensível é a dificuldade de acesso rápido a exames de alta complexidade, como biópsias, tomografias e tratamentos especializados dentro do prazo recomendado.

 

Tipos de câncer mais letais

 

Dados nacionais do Instituto Nacional de Câncer (INCA) indicam que os tipos que mais provocam mortes no país seguem sendo câncer de pulmão, mama, próstata e colorretal — realidade que também se reflete no Triângulo Mineiro. A incidência varia conforme sexo, faixa etária, hábitos de vida e acesso à prevenção.

 

Campanhas de conscientização, como as realizadas no Dia Nacional de Combate ao Câncer, chamam atenção para a importância do diagnóstico precoce, que pode elevar significativamente as chances de cura.

 

Alerta para o futuro

 

O crescimento dos números não significa apenas avanço da doença, mas também um desafio estrutural para os municípios da região. A tendência reforça a necessidade de investimentos em prevenção, ampliação da rede de atendimento oncológico e fortalecimento da atenção básica, que é a porta de entrada para o diagnóstico inicial.

 

Especialistas alertam: sem ações coordenadas entre União, Estado e municípios, o impacto do câncer tende a crescer não apenas em números, mas também em custos sociais e humanos.